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Quando o Amor de Perdição era interdito a menores....

Ficha de Leitura de Adolfo Simões Müller (1983)


Ficha de Leitura de António Quadros
(Rol de Livros)

Amor de Perdição (Grandes Livros)

A versão integral do documentário sobre a obra Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, produzido para a série “Grandes Livros”, inserida, neste momento, na programação da RTP2, está disponível no YouTube.


# E se... um outro final para Amor de Perdição

Depois de uma série de peripécias, que não interessa agora relatar, Simão e Teresa acabaram por ficar juntos, tal como ambicionavam. Já com quatro filhos, ambos de relações cortadas com os seus pais e a viverem do rendimento mínimo, continuavam juntos, mas já sem tanto amor, pois Simão, na realidade, tinha um feitio difícil. Simão era ciumento e conflituoso e não ajudava em casa.
Os dias iam passando, mas a verdade é que tanto um como outro já estavam fartos da vida que levavam. A intensidade inicial da relação esmoreceu. Teresa, já desesperada, começou envenenar a comida de Simão, como forma de acelerar a natureza. Um mês depois, Teresa enviuvou.
Agora que se encontrava sozinha com quatro filhos, decidiu ir ter com o seu pai. A princípio, ele hesitou em recebê - la, mas depois de conversar e ver os netos perdoou-a.
Visto que já tinham feito as pazes, foi viver com os seus filhos para casa do pai. Finalmente, Teresa estava em paz. Tinha uma vida calma, com tudo a que foi habituada.
No fundo, Teresa percebeu que às vezes as coisas não são tão “ bonitas “ como parecem, e uma família é insubstituível, enquanto que um homem…
O amor vai e vem, é algo que o Ser Humano necessita, mas nem sempre vale a pena o sofrimento que as pessoas passam por amar.

Jéssica Ferreira

# E se... - Oficina de Escrita


E se...

Imaginemos que os amores de Simão e Teresa tinham um outro desenlace... Nem ela morria, nem ele morria e o destino lhes dava uma segunda oportunidade... A Jéssica avançou com algumas hipóteses curiosas e o Rui também. Vamos esperar pela produção escrita.

Não se esqueçam de, na medida do possível, respeitar os traços caracterizadores de cada um dos personagens, nomeadamente, o espírito impetuoso de Simão.

morte de camilo | Vasco Graça Moura

morte de camilo


quando camilo deu, como então diziam os românticos

afectando o maior desprezo pelo corpo, um tiro

nos miolos, o projéctil furou muitos milhares de páginas

que ele, na cegueira, já não conseguia ler, mas


guardava na cabeça. elas entraram assim em contacto,

umas com as outras, as dele e muitas mais, por esse

novo canal aberto pela bala. no exacto momento

da sua morte, tintas de sangue e dor insuportável,


ele deve ter reconhecido semelhanças e perdições,

reencontrado personagens e experiências

amarguradas a jorrarem, de súbito presentes,

deve ter entrevisto paisagens, rostos, torpezas, ironias,


intensidades próprias e alheias. camilo deve tê-las percorrido,

a velocidade do raio, numa fracção de segundo,

como numa espécie de nova ars combinatoria,

e compreendido as negras molas reais de tudo. nós só


não sabemos se então ainda lamentou já não poder

escrever esses enredos possíveis, fulgurantes numa prosa

cada vez mais dominada, mas que, corno sempre, da paixão

incontrolada e da morte e de rápidos traços se nutriam.

Vasco Graça Moura, “poemas com pessoas”

Coração de Perdição| Expresso

A propósito de amores de perdição, uma resportagem do semanário Expresso (Única, 10 Jan 2009. Pag. 58 - 59) (para ler clica nas imagens)


Expresso Única
10 Jan 2009

Captatio Benevolentiae* na introdução de Amor de Perdição



Na introdução, Camilo entrelaça duas histórias – a sua e a de Simão – a partir de uma coincidência: a de um estar na Cadeia da Relação e de outro por lá ter passado. A Cadeia é assim o pretexto para uma viagem memorialista por uma história familiar.

A referência e a reprodução dos registos escritos inscritos nos velhos livros de assentamentos da cadeia de Relação do Porto, a par da neutralidade informativa do texto produzem um duplo efeito: o de enigma e o de verdade. Ao dar estes dados ao leitor, este se quiser pode, por si, ir verificar a veracidade dos mesmos, ao mesmo tempo que se estimula a curiosidade e se adensa o mistério.

Por outro lado, na Introdução, o narrador-autor manipula o potencial leitor, de modo a fazer com que este crie empatia com a figura de Simão Botelho, usando para isso dois argumentos: a juventude e o amor que o jovem sentiu. Somando a isto, o autor traça o perfil do leitor da sua obra, este deve ter “sensibilidade” e “boa formação” – ora que leitor é que não se quer identificar com este modelo?

Com esta estratégia, o autor sacraliza o amor e desresponsabiliza Simão de todos os outros actos. Camilo mostra que só os incapazes de compreender o amor condenarão Simão (e já agora a ele próprio, que na época se encontrava preso por motivos passionais).

* Captatio Benevolentiae - Expressão da retórica latina que significa literalmente “conquista da benevolência”, muito difundida em todas as literaturas românicas, quando um escritor quer ganhar a simpatia do leitor, interpelando-o no sentido de receber louvor e solidariedade para a causa que está a ser defendida )

(para saber mais consulta a Colóquio-Letras)

uma nota sobre a morte em Amor de Perdição


Em Amor de Perdição, a aceitação trágica da morte decorre da impossibilidade da concretização do amor. No capítulo XIX, , a morte vai torna-se uma obsessão quer para Simão, quer para Teresa. Escreve Simão: "Não temos nada neste mundo. Caminhemos ao encontro da morte...Há um segredo que só no sepulcro se sabe.” E ela responde:: "Morrerei, Simão, morrerei [...] e morro, porque não posso, nem poderei jamais resgatar-te.

A verdadeira união romântica do par é feita pela morte: só esta é realmente indestrutível.

Quando o Amor de Perdição era para maiores de 17!

Ficha de Leitura de Adolfo Simões Müller (1983)


Ficha de Leitura de António Quadros
(Rol de Livros)

Consultório Sentimental | Oficina de Escrita

Cara menina Coração:

Desde os meus quinze anos que prometi o meu coração a um rapaz meu vizinho. Amo e sou amada por ele, contudo as nossas famílias estão desavindas. O meu pai não me compreende e quer que eu me case com meu primo Baltazar. Diz-me ele que com o tempo vou amá-lo. O meu pai até me disse: « minha querida filha, que a violência dum pai é sempre amor. ». Ontem, meu querido pai disse-me:

« - Hás de casar! - Quero que cases! Quero!... Quando não, amaldiçoada serás para sempre, Teresa! Morrerás num convento! Esta casa irá para teu primo! Nenhum infame há de aqui pôr pé nas alcatifas de meus avós. Se és uma alma vil, não me pertences, não és minha filha, não podes herdar apelidos honrosos, que foram pela primeira vez insultados pelo pai desse miserável que tu amas! Maldita sejas! Entra nesse quarto, e espera que daí te arranquem para outro, onde não verás um raio de Sol.»

Cara menina Paixão, o que devo fazer?

Ass.: Teresa


Tarefa:

Elabora duas possíveis respostas à carta da menina Teresa, pondo-te na pele da “Menina Coração”. Uma imaginando-te na época em que decorre Amor de Perdição, outra, nos dias de hoje.

Bom trabalho!