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Sirene | Inês Lourenço


Sirene

Bom é ter poucos amigos
poetas, para não ter de
trair a lisura do afecto
ou do texto. Mesmo esses poucos
chegam a nenhuns, se não
conseguimos elogiar epifanias
recessas, queixas piedosas ou
banalidades inócuas. Um amável
neófito muito badalado, ou um sénior
de vários prémios
literários, esperam deliciar-nos
com o verbo no cada vez mais
exíguo palco do poema
impresso. Assim ficamos sós
diante da própria e feroz espera
da negada surpresa. Como quem
adormece na ambulância
apesar da sirene.

Inês Lourenço

E O CHÃO FOSSE MEU CORAÇÃO | João Miguel Fernandes Jorge

E O CHÃO FOSSE MEU CORAÇÃO

Partira. E por isso me doía a cabeça e não
dormira toda a noite. Ficara enrolado nos
lençóis, à escuta, esperando um regresso,
esperando não sabia o quê.
Compreendia que continuava ainda na mesma
sensação de expectativa,
à espera de qualquer coisa, numa ansiedade que
não passava como se a vida não pudesse mais
ser a mesma, apesar do próximo inverno
apagar inexoravelmente todos os sinais.

Partira. O inverno encarregar-se-ia pouco a
pouco de tudo esbater. Aqueles meses tão
cheios da sua presença haviam de recuar, de
perder importância, de desbotar e de se
irem fundindo noutros dias.
Perder-se-iam no abusivo uso dos infinitivos que
dão sempre uma poesia frouxa,
uns versos de incidente
na pressa de registarmos um acontecimento
extravagante.

Partira. Não deixaria de tirar daí algum proveito,
um pano torcido acima de um balde como se
se lavasse o chão
e o chão fosse meu coração.

João Miguel Fernandes Jorge (A Jornada de Cristóvão de Távora - Segunda Parte, Presença, 1988)

COMO SE FAZ UM POEMA? | Adília Lopes


COMO SE FAZ UM POEMA?


Apanhei o cabelo
em rabo de cavalo
agora a minha solidão
vê-se melhor
vê-se tão bem
como a minha face

E a minha face
é desassombrada
as sombras
não são minhas


Adília Lopes



Tive um esgotamento psíquico no Natal e estou a escrever isto no princípio da Primavera. Sinto que ainda não estou bem. Peço desculpa por o texto ser breve e aos satlos, aos trambolhões.

Escrevo sempre por inspiração e num impulso. Sophia de Mello Breyner Andresen diz muito melhor do que eu o que é e como é para mim escrever um poema. Está tudo em "Arte Poética IV" de Dual.

O poema que ilustra e encima este meu texto foi escrito da seguinte maneira que passo a registar.

Eu vivo de uma maneira sofrida actualmente porque tenha uma doença psíquica, posso vir a ter dificuldades de dinheiro e o mundo não está cor-de-rosa. O dia a dia é muito sofrido. Desde que o meu pai morreu que decidi deixar crescer o cabelo que usei sempre muito curtinho durante 21 anos seguidos. Passados dois anos e só dois pequenos acertos do cabelo, decidi experimentar fazer rabo de cavalo. Comprei um elástico e quatro ganchos. Essa compra motiva o poema, a meu ver.

O poema surge assim de minha vida presente e passada. É autobiográfico à sua maneira. Já não uso rabo de cavalo. Surge da leitura. E surge da Sophia. Decalquei o poema "Soror Mariana - Beja", de O nome das coisas.

SOROR MARIANA - BEJA


Cortaram os trigos. Agora
A minha solidão vê-se melhor.


A expressão "em rabo de cavalo" é o quotidiano. As minhas grandes influências, que admito e reconheço, são Sophia, Ruy Belo e Sylvia Plath. Foi com eles que comecei a escrever e é com eles e por eles que continuo a escrever e a ler.

Eu tenho a minha vida, mas assim como digo "Bom dia!" e a expressão "Bom dia!" não é de minha autoria, alguém a inventou muito antes de mim, a minha poesia é como se não fosse minha. Sinto-me despojada, desapossada, despossuída da minha poesia. O que faço é conviver: pôr a minha vida em comum.

A ideia das sombras e do desassombro não é também minha. Um namorado dizia a certa altura que havia menos sombras em mim, o que me fez ver que tinha havido e que havia sombras em mim. Um programador de televisão falou de desassombro a respeito de algumas das minhas prestações televisivas.

A minha poesia é uma poesia ao quadrado. Fiz uma metáfora de uma metáfora: em vez de trigos cortados, o cabelo apanhado em rabo de cavalo. Acrescentei um capitel: as sombras. Onde a Sophia viu paisagem, eu vi o meu corpo.

(publicado originalmente na revista Relâmpago número 14, de Portugal e em 2008 na revista Inimigo Rumor nº 20).

quatro poemas de Luís Miguel Nava


Poder-me-ão entender todos aqueles
de quem o coração for a roldana
do poço que lhes desce na memória.

Se alguma coisa vi foi com o sangue.
De alguém a quem o sangue serviu de olhos poderá
falar quem o fizer de mim.

***********

As ondas que se encontram
ainda agora em formação no espírito
dele já não vêm rebentar ao meu.

Por mim não volto a vê-lo, encontros houve
com ele dos quais a alma ficou cheia de dedadas.

Já nem sequer dele quero ouvir falar,
saber que se ele
fosse uma cama estaria por fazer nada me traz
agora além de desconforto.

***********
Aqui, onde a mão não
alcança o interruptor da vida, aqui
só brilha a solidão.
Desfazem-se as lembranças contra os vidros.

Aqui, onde a brancura
dum lenço é a brancura do infortúnio,

aqui a solidão
não brilha, apenas
se estorce.
A fome fala através das feridas.


***********
A pedra cai no ventre
da água- a fruta poderosa, as páginas
onde a brancura se estilhaça, o lenço
como um relâmpago.

Luís Miguel Nava

Nao sei que horas são no teu relógio. | J. M. Silva


Nao sei que horas são no teu relógio.
No meu é cedo/tarde - está parado
há bem mais de vinte anos.

Não importa, pois as coisas vão e vêm,
e de novo se levanta o mês de Março
nesta era da ironia, com seus truques
estafados e promessas desfolhantes.

Juntamente, tudo passa e tudo volta,
mas diverso - só por isso, justamente,
tem piada estar aqui, abrir os olhos,
conferir ainda e sempre, na vitrina
da manhã, a produção da Primavera.

José Miguel Silva

Horizonte vazio | Sophia M. B. Andresen




Horizonte vazio

Horizonte vazio em que nada resta
Dessa fabulosa festa
Que um dia te iluminou.

As tuas linhas outrora foram fundas e vastas,
Mas hoje estão vazias e gastas
E foi o meu desejo que as gastou.

Era do pinhal verde que descia
A noite bailando em silenciosos passos,
E naquele pedaço de mar ao longe ardia
O chanmamento infinito dos espaços.

Nos areais cantava a claridade,
E cada pinheiro continha
No irreprimível subir da sua linha
A explicação de toda a heroicidade.

Horizonte vazio, esqueleto do meu sonho,
Árvore morta sem fruto,
Em teu redor deponho
A solidão, o caos e o luto.

Sophia M. B. Andresen

Pequena elegia chamada domingo | Eugénio de Andrade


Pequena elegia chamada domingo

O domingo era uma coisa pequena.
Uma coisa tão pequena
que cabia inteirinha nos teus olhos.
Nas tuas mãos
estavam os montes e os rios
e as nuvens.
Mas as rosas,
as rosas estavam na tua boca.

Hoje os montes e os rios
e as nuvens
não vêm nas tuas mãos.
(Se ao menos elas viessem
sem montes e sem nuvens
e sem rios...)
O domingo está apenas nos meus olhos
e é grande.
Os montes estão distantes e ocultam
os rios e as nuvens
e as rosas.

Eugénio de Andrade

Os "diseurs" do 3ºA da Eb1 da Corujeira

Os alunos do 3ºA vierem à sede do Agrupamento preparar com ajuda da prof. Henriqueta uma surpresa para o dia da mãe. Num intervalo deste trabalho, disseram alguns poemas dos quais damos notícia neste vídeo. Parabéns, prof. Elisa pelo bom trabalho que tem desenvolvido com estes meninos.

Poderes | Carlos Bessa



Poderes*

Podemos ficar sentados a noite inteira
à espera de um sinal que nunca chega,
podemos num desespero sem nome perder
o gosto de tudo, enquanto o eu permanece
brilhante, estupidamente brilhante,
a sussurrar-nos ao ouvido a desgraça;
podemos, numa lufa-lufa, ir de filme
em filme, de livro em livro, como quem
sem terra procura uma casa, um lugar
a que possa chamar seu, onde tenha os seus
pertences e tempo para rir e tempo para
se aborrecer. Podemos ter pena de nós próprios,
podemos viver.
Carlos Bessa

* além dos sentidos comuns, poderes usa-se nos Açores como sinónimo de muito.

Derivas poéticas ...



Amanhã, será este o nosso cenário.

Alinhamento:
Pêro da Ponte, Adília Lopes, Cesário Verde, Mário Cesariny, Nuno Júdice, Antero de Quental, Manuel Alegre, Luís Quintais, João Pedro Mésseder, Sá de Miranda, Maria Teresa Horta, Ana Luísa Amaral, Mário Sá Carneiro, Alexandre O'Neill, David Mourão-Ferreira, Vasco Graça Moura, Nuno Júdice.

Dois poemas de Miguel-Manso

(Herbert Bayer)
Proscénio

o poema é antes de tudo
um palco para gestos simples
eu rego as flores em Junho


***
O fogo, a cidade

às vezes
sobre as palavras pesa um dia luminoso, a clara
imprecisão do gesto
o corpo inclina-se para a água
do poema

a roupa estas mãos o torpor da casa
quando o silêncio a morna demorosa voz
se desfazem no ritmo entontecido
do mundo

caminho descalço sobre a página
olho uma outra vez
voltando-me para trás
o fogo, a cidade

Miguel-Manso, Quando escreve descalça-se

Se queres atravessar | Pedro Eiras

(Imagem de Herbert Bayer)

Se queres atravessar
o Oceano,
escrevia o mestre Eckart,
naufraga.
Apaga a mão de luz
com o punhado de
sombra.

Pedro Eiras, Arrastar Tinta (Deriva)

TROCAS | Nuno Júdice

Júlio Pomar

TROCAS

Tinha uma amiga com quem queria ter dormido. A

amiga tinha outro amigo com quem dormiu depois

de saber que ele queria dormir com ela. Disse-lhe

depois que se não tivesse sabido que ele queria

dormir com ela teria dormido com ele sem dormir

com o outro. Mas o outro, que sabia que ela não

queria dormir com ele, dormiu com ela para que

ela percebesse que era melhor dormir com ele do

que dormir com o amigo. O amigo é que deixou

de ser amigo dele porque não gostou que a amiga

o tivesse preferido a ele. A amiga dos dois, por

fim, convenceu-os a não se zangaram por ela ter

dormido com o que não gostava dela, e acabou a

pedir ao primeiro que dormisse com ela para não

ficar triste. Mas o amigo não quis, porque já tinha

feito as pazes com o que dormira com ela, e não

queria que tudo voltasse ao princípio. E foi assim

que a amiga se zangou com o que queria ter dormido

com ela por ele não querer dormir com ela só

porque ela tinha dormido com o outro depois de

saber que o outro já tinha dormido com ela, e ele não.


Nuno Júdice

A inexistência de Eva | Filipa Leal



Depois de ler A inexistência de Eva, apetece-me "copiar" Adrienne Rich:

Call it a book, or not
call it a map of constant travel

[Chame-se-lhe livro, ou não
chame-se-lhe um mapa de um viajar constante.]

************

Ao quarto livro, Filipa Leal dá-nos um mapa. De repente tudo ficou mais claro, como a sala branca onde estava aquela mulher:

Era uma mulher que estava dentro de uma sala muito branca

A inexistência de Eva é um corpo de mulher marcado pela memória.

Um corpo marcado pelo remorso imemorial – talvez aquele que herdamos das nossas mães e as nossas mães das mães delas – e pela castidade.
Um corpo marcado por uma culpa que ainda não é sua, mas que inevitavelmente será sua também.
Um corpo que não tem versos à volta, mas tem maçãs difusas .
Um corpo sem voz que recebe ordens de uma voz sem corpo.
Um corpo que não se pode ver a si mesmo, porque não tem espelhos (nem sequer os olhos de um qualquer Adão).
Um corpo em construção.
Um corpo de mulher que pode sair, pode ir, mas que ouve a voz que avisa:
“Assustar-te-á a existência de dia e de noite”.

Este corpo tem um nome: Eva. Como a primeira mulher. Mas esta Eva não é a primeira mulher, é apenas a primeira mulher ali. Como todas as mulheres e como todos os homens somos sempre, em alguma circunstância, os primeiros em alguma situação, corrijo, em alguma emoção..
Eva é a tinta que pela primeira vez vai escrever na brancura indefinida do papel. E, ao arriscar a escrita, pode encontrar a gaguez ou a palavra exacta ou a gralha.
Eva é a mulher limitada pelo medo de esmagar o pássaro que está fora da janela.

“Ouviu: Há um pássaro que todas as noite se deita à tua porta.
Como não sabes a que horas anoitece, nem o que é anoitecer, se abrires, esmagá-lo-ás”


Eva é matéria moldável.

Eva é a Alice no dentro do espelho, é a Sofia da Condessa de Ségur na sala dos Castigos, é Platão na sua Caverna, é cada um de nós antes de enfrentar a luz cruel da rotina.
Eva é a certeza da inexistência de saídas de emergência para a vida:

“Ouviu: - O fascínio é o perigo em que te moves.
Em breve conhecerás o abandono.”

*********
(2009), Leal, Filipa, A inexistência de Eva, Deriva Editores, Porto.

O sol ilumina a neve | Rui Filipe




O sol ilumina a neve
branca que o mar já congelou
campo de rosas vermelhas que
outro campo beijou
desço o alto penhasco
que ao seio de montes me levou
sigo para sul a planície
onde um lago me parou
conheço cada centímetro deste
mundo onde estou
soalho de seda suave
que, sem querer, me apaixonou
Pensei já ter tirado
o meu coração daqui
afinal estava enganado,
afinal nunca parti

Rui Filipe

(No dia em que o Rui completa 17 anos, um texto de sua autoria.)
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Mãe, eu quero ir-me embora| Maria Rosário Pedreira

Martin Creed Work No. 374
[o poema que nos levou à dúvida do Tiago]


Mãe, eu quero ir-me embora – a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram –
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.


Mãe, eu quero ir-me embora – os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim – tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.


Mãe, eu quero ir-me embora – nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique –
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.


Mãe, eu vou-me embora – esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua – a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste um dia que chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.


Maria Rosário Pedreira in O Canto do Vento nos Ciprestes

Poeta ou Poetisa? | a propósito de uma dúvida do Tiago


A meu ver o uso da forma feminina não diminui o prestígio da autora. No entanto, algumas mulheres intitulam-se a si próprias poetas. O exemplo maior, na nossa literatura, está em Sophia de Mello Breyner, para quem o termo poetisa não era verdadeiramente a forma feminina de poeta, pois atribuía às mulheres um estatuto de menoridade face aos homens com idêntica actividade. Contudo, se consultarmos os dicionários, nada há de explícito que confirme um sentido depreciativo associado à palavra poetisa.
Natália Correia também preferia o termo poeta: “Senhores jurados sou um poeta/ um multipétalo uivo um defeito / e ando com uma camisa de vento /ao contrário do esqueleto.
Actualmente, o uso do termo (conceito) “poeta” ou “poetisa” prende-se com diferentes patamares de luta do feminismo. Numa primeira fase, as mulheres criadoras, por uma questão de igualdade, preferiram o termo “poeta”, pois o termo poetisa era conotado com uma poesia menor, mais confessional, mais autobiográfica. O termo poeta - para homem ou para mulher - serviu assim para igualar na linguagem o feminino e o masculino.
Ainda que lentamente, o termo / conceito “poetisa” tem vindo a ser reabilitado: já não menoriza a criadora, mas a afirmar uma identidade socialmente construída, que não precisa de ser igual ao masculino, para se afirmar.
A questão é que apesar de as verdades poéticas serem ditas fingindo-se verdades que o são de facto, são sempre filtradas por um sujeito de enunciação que não coincide com o sujeito empírico. Todavia quando se fala em “poetisa” e não em “poeta”, ainda há, em muitos a tentação de aí procurarem marcas biográficas e confissões de intimidade. Aparentemente, pelo menos, o termo “poeta” ajuda a construir uma maior distanciação.
Adília Lopes prefere o termo “poetisa”:

Sou uma poetisa-fêmea falo do falo
Sou um poeta-macho
sacho

Este gosto pelo termo que marca o género, reforçado pleonasticamente com o termo “fêmea”,não é uma atitude demeritória, é antes de acordo com Anna Klobucka: «a performative exploration of anachronism as a device aimed at shaking the reader out of ahistorical complacency and reactivating awareness of gender as a factor of continuing crucial importance in the realm of social and cultural hermeneutics.» (Klobucka).
Mas isto fica para outra conversa.

No dizer de Adília, a poetisa não é a que escreve versos femininos; é quem, sendo mulher, escreve poesia. O poeta e a poetisa opõe-se porque socialmente ocupam espaços diferentes.

[Procurei no editorial da revista hífen 12 – quatro poéticas – alguma referência ao assunto, mas a poeta/poetisa Inês Lourenço não se compromete…]