Quando Atravessares o Rio, de Ana Teresa Pereira


"A poder falar-se d um efeito “eternidade”, tão preciso e intenso como a luz que de um ícone escuramente emana, teríamos de o detectar na obra de Ana Teresa Pereira. À margem, claro, de fáceis misticismos ou de reconhecíveis engrenagens religiosas, pois não é disso que se trata, mas antes de um cada vez mais asfixiante e depurado continuum. A autora, acrescente-se, sabe-o bem melhor do que nós: “As suas personagens eram sempre as mesmas: uma mulher um pouco parecida com ela e um homem mais velho chamado Tom” (pág. 48). Desta vez, Tom quase chega a ter um rosto, talvez o de Jeremy Irons, assumido agora como o “actor nos seus livros”. Mas pouco importa, afinal, a substância de que são feitos Tom ou Katie Dylan, cujos duplos teimam em assombrar estas páginas inquietantes. Abate-se sobre Quando atravessares o rio uma espécie de beleza terminal, inexorável. Este poderia muito bem ser o último – ou o primeiro – livro de Ana Teresa Pereira, ao confrontar-nos com questões tão irresolúveis quanto raramente formuladas:

O que acontece às personagens quando o autor vai embora?

Os livros de um escritor estão contados. E depois ele fica sozinho com os seus demónios. Ela mesma escrevera essas palavras, alguns anos atrás” (pág. 20).

Dir-se-ia que a “autobiografia” irrompe, neste livro, ainda menos veladamente do que em obras anteriores: “[Katie] queria ser uma grande escritora, não queria fazer mais nada na vida” (pág. 25). Já sabemos que isso – em Portugal – é o menos realizável dos projectos, a não ser que se tenha agentes literários e uma evidente pobreza de espírito, dócil e exportável. No entanto, é esse o quase impossível desígnio de Katie: “esculpir no gelo”, afastar-se solitariamente do esplendor frívolo do cimento dominante. A suspeita de uma crise ou de um impasse revela-se, porém, indissociável de uma extrema e desapiedade lucidez: “Deitar-se na neve para morrer. Como ele. // Mas a neve era muito pouca” (pág. 24). Uma escrita deste calibre, com tudo o que tem de obsessivo e de inalienável, obriga-nos a ficar “algures do outro lado das palavras” (pág. 55). Como se, de falésia em falésia, só o susto e a derrota – no que estes possam ter de júbilo ou celebração – fizessem ainda algum sentido, à sombra de um nome indomavelmente próprio: “Fingir dá muito trabalho. Eu prefiro ser". (pág. 67)." por Manuel de Freitas




O Tiago e a Juliana já leram e gostaram.

A Disfunção Lírica, Inês Lourenço

DESALINHO

Nenhum destes poemas
Fará parte de um livro
Adoptado nas escolas. Há
muito
tempo que não escrevo
azul mar e barcos ou outras
palavras para alívio de almas
homéricas.


Prefiro – ou preferem-me
Aquelas como: desalinho
Alinhavo ou logro ou outra
Qualquer. Nunca o arremedo
De uma palavra única esgota
O muito ou nenhum sentido
de um verso.

in A Disfunção Lírica, Inês Lourenço

O Poeta Nu, de Jorge Sousa Braga


O Poeta Nu de Jorge Sousa Braga é, a meu ver, muito interessante, pois escapa ao modelo de poesia amorosa. Trata-se de uma poesia por vezes fria e que, apesar de aparentemente não parecer, bastante complexa, exigindo um alto grau de concentração para que se entendam os poemas.
Este livro ajudou-me a mudar de opinião em relação à poesia e mostrou-me que nem todos os poemas são tristes.


DE (LÍRIOS)
Em frente à casa amarela em Arles havia um canteiro de lírios.
Ou seria na cabeça amarela de Van Gogh que esses lírios floresciam? Inclino-me mais pela segunda hipótese. Ou não sofresse Van Gogh delírios.

Jorge Sousa Braga

Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco


Amor de Perdição" de Georges Pallu (Col. Cinemateca Portuguesa)

O livro de Camilo Castelo Branco - Amor de Perdição - trata da história de amor de Simão António Botelho e Teresa de Albuquerque.
Este livro desperta bastante interesse logo desde o início da história, uma vez que há um forte impedimento familiar a este amor.
Sem querer desvendar o final, não podemos deixar de repetir: «Amou, perdeu-se e morreu amando».

CARTA A FÁTIMA, de Luiz Pacheco


CARTA A FÁTIMA, de Luiz Pacheco


Lembras-te Fátima? era o que eu sempre te dizia, não somos nada nas mãos do acaso, e não há mais filosofia do que esta: deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos, daqui a cem anos que importância tem isto, quem se lembrará de nós? quem se lembrará de mim? se nem tu já te lembras de mim agora, tu, a quem tanto amei, não te lembras, e foi há tão pouco, foi ontem, parece, que te levantaste e disseste: «Ficamos amigos como dantes»... E dizias: como dantes e era já noutro que pensavas, olhavas-me e nos teus olhos ria-se a traição, o prazer da liberdade, um desafio alegre, uma alegria provocante e desapiedada, ias a meu lado pela última vez e eu era já um estranho para ti, um fantasma a quem se concede, por caridade, uns momentos mais de companhia, algumas palavras vagas distraídas, um pouco de estima, talvez. Reparei: o teu corpo, oh corpo do meu prazer! oh carne virgem sangrando debaixo de mim! oh meu repouso e minha febre! o teu corpo outrora tão cativo e tão submisso, ficara de repente cerimonioso e esquivo, cauteloso, afastado, com um pudor forçado no puxares a saia sobre os joelhos, como se tivesse uma grande vergonha do despudor com que se dera antes...
Dizias: como dantes e não era já nisso que pensavas, e não era já para mim que falavas, eu era uma coisa para esquecer, para deitar fora, uma coisa que se abandona caída no chão e se perde sem pena. Dizias: «adeus» e saías da minha vida com um aperto de mão desembaraçado, quase cordial um gesto de boa camarada, como se nada tivesse havido antes, como se não tivéssemos sido tantas vezes na cama, um dentro do outro, um no outro, um-outro diferente, uma coisa sublime: Deus Criador, como os míseros humanos só ali o podem sentir e saber; um Outro que éramos nós ainda, mas tão transtornados, tão virados para fora de nós, tão esquecidos do mundo e de nós, tão eficazes, tão leais, nós boca com boca, corpo a corpo, um sexo torturando um sexo, mordendo-se devorando-se, numa febre de chegar ao fim depressa, ao esquecimento, ao repouso. Disseste: adeus e eu odiei-te logo nesse minuto, como te odeio agora, não por ti ou pelo teu corpo que já me esqueceu noutros que vieram depois, mas porque morri ali naquela palavra, -morri entendes? -, perdi-me numa grande confusão, esqueci-me de ser eu, fiquei roubado do meu passado.
Hoje, encontrarias um outro homem; havia de rir-me do teu corpo, da sua entrega ou das suas traições, de tu me dizeres: «Vem» ou «Adeus...», ou «Não quero...». Hoje, saberias quem fizeste com uma só palavra, conhecerias um outro homem, que é obra tua, minha segunda mãe! Hoje, havia de rir ou chorar, era a máscara do momento; mas diria: tanto faz..., tanto me faz... Sabia-o!

Fragmento de Comunidade, de Luiz Pacheco




«Somos cinco numa cama. Para a cabeceira, eu, a rapariga, o bebé de dias; para os pés, o miúdo e a miúda mais pequena. Toco com o pé numa rosca de carne meiga e macia: é a pernita da Lina, que dorme à minha frente. Apago a luz, cansado de ler parvoíces que só em português é possível ler, e viro-me para o lado esquerdo: é um hálito levemente soprado, pedindo beijos no escuro que me embala até adormecer. Voltamo-nos, remexemos, tomados pelo medo de estarmos vivos, pela alegria dos sonhos, quem sabe!, e encontramos, chocamos carne, carne que não é nossa, que é um exagero, um a-mais do nosso corpo mas aqui, tão perto e tão quente, é como se fosse nossa carne também: agarrada (palpitante, latejando) pelos nossos dedos; calada (dormindo, confiante) encostada ao nosso suor.»

Luiz Pacheco: «deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos»

Luiz Pacheco morreu.

Cântico Negro, de José Régio

A propósito da nova publicidade do Pingo Doce, nada como recordar o Cântico Negro....


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

Soneto Soma 14 X, E. M.de Melo e Castro


A operação, de Adília Lopes


A operação

As pessoas podem entrar para me visitar
podem ver-me
ler
entrou a minha tia
esta gaveta não tem chave?
ah está aqui porque é que a escondeste?
pareces daquelas pessoas que tem o pé-de-meia
dentro do colchão
e uma falta de confiança
nas outras pessoas fechar as gavetas
à chave ah é uma chave de vidro
e daquela caixinha? gostas de fazer caixinha
entrou o meu padrinho
começou a revistar as gavetas isto é valioso?
as criadas podem roubar
não devias deixar andar assim isto
por aqui para que queres
tantas caixas? mais valia
fazeres colecção de selos
ocupava menos espaço
tudo isto era bom mas era
para o lixo quem vir isto
vai pensar que és uma trapeira
dessas que andam a mendigar pelos caixotes do lixo à noite
quando é que o meu padrinho acabará
de fazer a sua rusga?
tive um pesadelo esta noite
quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho?
as paredes estavam escancaradas
sonhei que almas perversas
tinham partido as caixas
tinham enchido as gavetas da roupa
com salamandras
li isto no “Jornal do Incrível”
e tinham vindo escrever com outra letra que não a minha
outras coisas que não as minhas nos diários
que eram meus
Ah não poder gritar
(fui ontem operada a garganta no fim
a enfermeira mostrou-me as amígdalas
estavam numa bandeja de inox)


in O decote da dama de espadas (romances) de Adília Lopes

Luísa Costa Gomes


Na terça-feira passada, 12 de Dezembro, contámos com a presença da contista, dramaturga, tradutora, cronista e responsável pela revista FICÇÕES, Luísa Costa Gomes, que dinamizou uma oficina de escrita. Em breve, disponibilizaremos, aqui, alguns dos textos produzidos.

Pede um desejo imenso | Frederico Lourenço


A triologia de Frederico Lourenço, inaugurada por Pede um desejo imenso e continuada em O Curso das Estrelas e À beira do Mundo tem como fundo narrativo a história que liga Nuno e Filipe.

No primeiro volume, cujo título é devedor de um belo verso camoniano. Desenha-se uma história de amor passada num ambiente universitário, mostrando que também aí há intrigas e maledicência. Habilmente, o jovem autor traz para a cena literária a questão da homossexualidade, abordando a questão com sobriedade e naturalidade.

A continuação da saga perde algum interesse no segundo volume, pois o narrador, para contextualizar o primeiro romance, desvia-se um pouco do eixo matricial.

Já em À beira do Mundo, Frederico Lourenço recupera o fôlego inicial e, desta feita, transporta, a ambiência universitária para a cidade dos Arcebispos.
Estas três obras, agora publicadas em um só volume, valem enquanto um todo e ajudam o leitor a entrar num ambiente onde se misturam sentimentos fortes com referências de qualidade académica a grandes autores como Camões e Homero.
Fica-nos a vontade de saber mais sobre Nuno.

Amor de Perdição | Camilo Castelo Branco

Amor de Perdição(Filme de Manuel de Oliveira,1978)


O livro de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, trata da história de amor de Simão António Botelho com Teresa de Albuquerque.
Este livro desperta um certo interesse desde o início da história devido á forma como é narrada. Os amores proibidos de Simão e Teresa servem de cenário a um drama que pode ser ilustrado pela seguinte frase: “Amou, perdeu-se e morreu amando”.

Sandra Sousa
Amor de Perdição Camilo Castelo Branco

Poema de amor de Jorge Sousa Braga


Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno

E quase ia morrendo com o receio de que ele não te coubesse no dedo.

Eu que servi o Rei da Inglaterra, de Bohumil Hrabal | visões úteis


Eu que servi o Rei da Inglaterra, de Bohumil Hrabal
visões úteis 16 de Novembro 14:30 Teatro Campo Alegre


Eu que servi o Rei de Inglaterra foi escrito no Verão de 1971, de uma vez, e Hrabal escusou-se mesmo a revê-lo para assim preservar a impressão original das imagens. O narrador, o pequeno garçon Ditie, é uma personagem tornada amoral pelo seu sonho de prestígio social e pelo rápido desenrolar dos acontecimentos históricos à sua volta. No coração desta obra encontramos o desencadear da Segunda Guerra Mundial: é o final da década de 30 e Adolf Hitler, após anexar a região dos Sudetas (situada na Checoslováquia, mas cuja população é maioritariamente de ascendência alemã), acaba por ocupar Praga e todo o país. Ditie é arrastado pelos acontecimentos sem os julgar, e acaba por se colocar, a cada momento, do lado “certo”, na busca dessa estatura que a Natureza lhe negou. ( in Visões Úteis)

A vida, por Juliana

James Dean Oil Painting,Road to Happiness

A vida é o que nós queremos que ela seja. A felicidade não se conquista: somos nós que a criamos. A vida é muito mais do que a simples rotina diária: o mundo tem muito mais para nos dar do que aquilo que olhamos sem ver. Vamos buscar tão longe aquilo que está perto. Vemos as pessoas como dados adquiridos. Desejamos voltar ao passado quando nos devíamos preocupar em viver o presente. Deixamos que o orgulho e o medo nos empeçam de seguir os nossos sonhos e, depois, culpamos a vida por não sabermos desvendar a humanidade.

Ama o impossível

“Ama o impossível, porque é o único que não te pode decepcionar
Vergílio Ferreira

Nas cantigas de amor, o trovador exprime o seu amor por uma dama, que apenas ouve os poemas que lhe são dedicados: nunca se pronuncia. Ele ama o impossível, o inatingível: sabe que ela nunca vai corresponder ao seu “amor” e, ainda assim, continua a admirá-la à distância.
Jessica

A mulher na publicidade, na Juliana

(Graça Morais)


A mulher reinavam como suseranas, na poesia medieval. Eram vistas como um modelo ideal, como um objecto poético emudecido. Contudo, na vida quotidiana, a mulher tinha um papel insignificante. Era o homem o detentor de todo o poder. Era como se existissem dois mundos, duas esferas sociais: uma privada e uma pública. A mulher não tinha acesso à esfera pública: à política, à economia, à sociedade. Para o homem, o facto de a mulher se cingir à casa e á família era bom, pois desta forma não se rebelariam contra a sociedade. Por outro lado, actualmente, existe uma forte presença da publicidade, onde a imagem feminina é usada de forma, igualmente, idealizada. Estas imagens distorcidas visam gerar frustração nos consumidores e levá-los a adquirir produtos para que possam chegar mais perto desse ideal.Tanto na idade Média, como actualmente na publicidade, a mulher não passa de uma ficção imaginada. Mas, apesar de tudo, nos dias que correm a situação da mulher é bem diferente. Na Idade Média as mulheres eram submissas porque tinham de se sujeitar a essa situação, agora essa situação só existe quando as mulheres compactuam com ela.

A mulher ao longo dos tempos, por Rui Filipe

(quadro de Graça Morais)

A mulher desde sempre foi idealizada pelo homem, mas nem nos tempos medievais, nem agora no texto publicitário, tem voz própria. Na Idade Média, os poemas eram feitos por homens para a mulher idealizando-a, fazendo-a perfeita , mas apenas em seu próprio beneficio, com o intuito de serem vistos como grandes poetas. Essas mulheres não tinham direito à palavra, não podiam expressar-se. Nos dias de hoje, acontece algo parecido na publicidade, à qual estamos expostos, todos os dias. A mulher é apresentada como um modelo estético e sugere-se que todas deviam ser como esse modelo. Ambas, quer a mulher medieva, quer a mulher da publicidade, são adoradas, idealizadas. São mulheres perfeitas, mas sem poder para dizer o que pensam. No entanto existem algumas diferenças. Enquanto a mulher na Idade Média era vista como um objecto, hoje não é vista assim. A mulher tem acesso a cargos políticos, sociais, profissionais. Os homens também mudaram, tanto nas opiniões, como nas posições. Hoje em dia existem muitos mais homens a cuidar da casa do que na Idade Média (se é que havia algum). Apesar de já terem mais peso na balança, esta ainda não se encontra equilibrada, coisa que devia acontecer.


Rui Filipe