Mocidade Portuguesa Feminina vs Cosmo

versus

O Rui fez uma “leitura” comparativa entre Mocidade Portuguesa Feminina de Irene Flunser m Pimentel uma revista feminina (Cosmopolitan). O trabalho do Rui é mais extenso, mas por agora fiquemos com os títulos do passado e os títulos do presente:

Casar é um sacramento para ser uma verdadeira mulher. / Para que serve o casamento?

O uniforme da Mocidade / Peças de roupa e acessórios com muito brilho.

Pode uma rapariga corresponder-se com um rapaz desconhecido? / Atreva-se: meta conversa!

Há inconvenientes no flirt? / Ouse

Combate os teus defeitos / Goste de si

Os rapazes ao sol! As raparigas na sombra / Sexy na neve.

Qual é a idade ideal para uma rapariga casar? / Sexo – o que ele gosta (e o que ele não gosta)

Curso de Donas de casa / Estratégias para seduzir

Boa filha e rapariga séria / Pare de comer o que engorda e tenha um corpo fabuloso

Diogo


Um vez mais, o Diogo brilhou. (dia 12, Escola de Campanhã)
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Grupo de Teatro


Dia 7 de Março, auditório da Junta de Freguesia da Corujeira.
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Artistas...


A Gabriella nos camarins...
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Maria Gabriela Llansol, 1931 - 2008


"_______escrevo,
para que o romance não morra.
Escrevo, para que continue,
mesmo se, para tal, tenha de mudar de forma,
mesmo que se chegue a duvidar se ainda é ele,
mesmo que o faça atravessar territórios desconhecidos,
mesmo que o leve a contemplar paisagens que lhe são tão
difíceis de nomear"

Ler

"A finalidade de ler não é guardar na memória. Eu esqueço-me do que leio mas encontro-me, ao cair da noite, com ele. O fundamento da minha leitura é a pergunta seguinte:
"Por quanto tempo lês um pequeno período extenso?". Por um segundo, um minuto, um ano, toda esta noite, ou toda esta vida? Ler estende-se pelo tempo e quer o espaço do dia-a-dia para projectar a sua sombra. Ler estende-se por vertentes desconhecidas, e eu leio pouco, mas infinitamente. Desses metais preciosos escolho um metal, e torno-o integralmente minha estrela."

Maria Gabriela Llansol

O desempregado com filhos | Gonçalo M. Tavares


O desempregado com filhos

Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão que te resta.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a cabeça.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.

Gonçalo M. Tavares, O Senhor Brecht

Senhor Juarroz


Hoje foi dia de teatro...
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FOTO III

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Foto II

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Foto I


As nossas experiências fotográficas...
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Vamos ao teatro?



O Senhor Juarroz de Gonçalo M. Tavares com poemas de Roberto Juarroz

Alguns já leram alguns livros de O Bairro de Gonçalo M. Tavares: O senhor Valéry, O senhor Henri, O senhor Walser, O senhor Bretch, O senhor Juarroz, O senhor Calvino. Uns gostaram, outros estranharam. A companhia Pé de Vento, encenou O Senhor Juarroz, um espectáculo absurdo e surrealista artísticamente inspirado na pintura de René Magritte.

Dia 28 de Fevereiro, pelas 11 h.

Excerto de O SENHOR JUARROZ:

"
O Senhor Juarroz pensou num Deus que, em vez de nunca aparecer, aparecesse, pelo contrário, todos os dias, a toda a hora, a tocar à campainha. Depois de muito meditar sobre esta hipótese o Senhor Juarroz decidiu desligar o quadro da electricidade." Gonçalo M. Tavares.

Fotografias contemporâneas Portuguesas





















Foi a autora deste três trípticos,
Rita Castro Neves, quem nos recebeu no dia 23 de Fevereiro no serviço educativo da Fundação de Serralves.

Fernando Lemos, Helena Almeida, Jorge Molder, Paulo Nozolino, Daniel Blaukfucks, Virgílio Ferreira, João Tabarra, Manuel Santos Maia, Teresa Sá, Paulo Mendes foram alguns dos artistas que ficamos a conhecer um pouco melhor. Além da própria Rita Castro Neves, claro.
em Serralves. A Rita foi a nossa guia, na nossa primeira incursão na fotografia contemporânea portuguesa.

Nos trípticos acima vemos uma paisagem urbana desolada e desconfortável. Uma cidade vazia, abandonada. Uma cidade à espera de um autocarro que pode não mais chegar, de uma farmácia que esteja aberta. Nesta cidade despojada e anónima, os corpos são anónimos e a identidade fluida. É o corpo do homem com um soutien de pensos rápidos, é a jovem com um bigode de algodão, são os músculos de ligaduras. Tudo é medicalizado. A esperança está na individualidade das campainhas, todas diferentes, quem será que se esconde atrás delas?


“Amor é um fogo que arde sem se ver” : numa linhagem clássica


Odi et amo. Quare id faciam, fortasse requiris
Nescio sed fieri sentio et excrucior

Amo e odeio. Como? Perguntais por certo.
Não sei, mas sei que sinto e sei que sofro assim
Catulo


Iuctantur pectusque leve in contraria tendunt
Hac amor hac odium; sed, puto, vincit amor


Lutam e desenham o meu fraco coração em direcções opostas,
ora o amor, ora o ódio; mas penso que ganha o amor
Ovídio

Outra vez amo e não amo,
Estou louco e não estou louco.

Anacreonte

O Amante, de Marguerite Duras, por Jessica



O Amante conta a descoberta do amor e do sexo por uma adolescente, filha de uma família de colonos que vivem numa situação de falência na Indochina francesa, nos anos 30. O amor proibido da menina branca, que ainda não completou 16 anos, e a sua entrega a um jovem chinês rico, dez anos mais velho do que ela, é também uma forma de escapar à claustrofobia a da família.
É a jovem que descobre o poder da sua própria beleza e da sua sexualidade e que , desde o início, domina a relação com ele.


Duras, Marguerite, (trad.: Luísa Costa Gomes e Maria da Piedade Ferreira), O Amante, Difel, 1984

A Relíquia, de Eça de Queirós, por Sandra Sousa


A Relíquia conta-nos a história de Teodorico Raposo. Teodorico vivia com uma velha tia, rica e muito devota. Por influência de um amigo, Dr. Margaride, decide aproximar-se da tia Patrocinio e traçar uma estratégia para herdar a fortuna da velha senhora, mostrando-se, para tal, mostra-se (falsamente) religioso e devoto.
Pede à tia que lhe financie uma viagem a Paris, mas esta recusa-se terminantemente afirmando que Paris era a cidade do vício e da perdição. Teodorico pede, então, para fazer uma peregrinação à Terra Santa. A tia consente e pede que lhe traga uma recordação. Teodoro, na viagem, envolve-se com uma inglesa – Mary – que, como recordação dos momentos que passaram juntos, lhe dá um embrulho com a sua camisa de noite. Chegado à Palestina, Raposo continua a sua vida profana e amoral.
Antes de regressar, Teodorico lembra-se do pedido da tia e corta uns ramos de um arbusto e tece com estes uma coroa, que embrulhou e pôs na sua bagagem.
Entretanto, uma pobre mendiga pede-lhe esmola e ele deu-lhe o embrulho que (pensava ele) continha a camisa de Mary.
Chegado a Lisboa, relata, hipocritamente, à tia todas as penitências e jejuns que fizera durante a peregrinação e oferece-lhe o embrulho, dizendo que este continha a coroa de espinhos. A abertura da suposta relíquia faz-se perante uma imensa audiência de sacerdotes e beatas, num ambiente de ansiedade. Qual o espanto de todos quando, em vez do sagrado objecto, surge a camisa de noite de Mary.


Queirós, Eça de, A Relíquia

O Nariz , de Nikolai Gogol, por Juliana Monteiro


O Nariz é um pequeno conto humorístico de Nikolai Gogol. O conto fala-nos major Kovalióv , um homem, que numa qualquer manhã, acorda e e descobre que seu nariz desapareceu.. Como é uma figura pública importante, decide procurar o seu nariz. Descobre, então, o seu nariz caminhando apressado e vestido com um uniforme bordado a ouro. In terpela-o, mas o nariz ignora-o….

“Ivan Iákovlevitch vestiu, por respeito das conveniências, a casaca por cima da camisa e, sentado-se à mesa, serviu-se de sal, preparou duas cebolas, pegou na faca e, com uma expressão eloquente na cara, pôs-se a cortar o pão. Ao abri-lo ao meio, olhou para o miolo e, surpresa sua, viu algo esbranquiçado. Escavou cuidadosamente com a faca e apalpou com um dedo. "É duro,- disse para si. - Que poderá ser?". Enfiou os dedos e tirou - um nariz!...Caiu das nuvens; esfregou os olhos e começou a apalpar: nariz, nariz de certeza! Ainda por cima de alguém conhecido, parecia-lhe. Desenhou-se o terror no rosto de Ivan Iákovlevitch." (pg. 26)

Gógol, Nikolai, (trad. Filipe Guerra e Nina Guerra) O Nariz, Assírio & Alvim, 2000

CARTA DE AMOR , Jorge Sousa Braga



CARTA DE AMOR (1981)

A Eugénio de Andrade

Um dia destes
vou-te matar
Uma manhã qualquer em que estejas (como de
costume)
a medir o tesão das flores
ali no Jardim de S. Lázaro
um tiro de pistola e ...
Não te vou dar tempo sequer de me fixares o rosto
Podes invocar Safo Cavafy ou S. João da Cruz
todos os poetas celestiais
que ninguém te virá acudir
Comprometidos definitivamente os teus planos de
eternidade
Adeus pois mares de Setembro e dunas de Fão
Um dia destes vou-te matar
Uma certeira bala de pólen
mesmo sobre o coração.

Jorge Sousa Braga


O nascimento de Vénus

(pormenor de O nascimento de Vénus de Sandro Botticelli)

Pele branca: a pele de Vénus é da cor do marfim: um branco com uma tonalidade amarelada e por vezes rósea. A imaculada perfeição do corpo não evoca a pele, mas a superfície de uma estátua.

o cabelo: o cabelo de Vénus desenvolve-se em largas ondas que serpenteiam o corpo, vestindo-o.

ombros estreitos: ao contrário das estátuas antigas, cujos ombros se apresentam na horizontal, os ombros desta Vénus são invulgarmente estreitos e o pesconço é anormalmente longo.

o rosto: trata-se de um rosto muito jovem, com a boca fechada e olhos claros. Apresenta uma expressão de doce melancolia. A delicadeza dos traços sugere uma bondade moral que purifica a deusa pagã.
a postura: a atitude de Vénus inspira-se nas estátuas antigas e, apesar do aparente pudor, com uma mão revela um seio e os cabelos evocam a ideia dos pêlos púbicos, cuja representação estava proibida. O peso está todo para o lado direito o que nos dá uma ideia de leveza. A postura da deusa representa a natureza dual do amor, ao mesmo tempo sensual e casto. Interpretada à luz do neoplatonismo, Vé nus representaria a união de qualidades espirituais e humanas.

(adaptado de
Leer la pintura de LANEIRE-DAGEN, Nadeije,Madrid: Larousse, 2005)

Renascimento


Quase um poema de amor, Miguel Torga

(imagem retirada de o intruso)


Quase um poema de amor

Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor

Miguel Torga

Neste poema de Torga, o sujeito poético fala-nos daquilo que ele melhor sabe fazer: poemas de amor. No entanto, à medida que vai envelhecendo
ninguém o "deseja apaixonado" e o "pudor", a vergonha, fazem com que ele cada vez menos se consiga expor. O amor torna-nos mais confiantes, mas o sujeito poético tem medo se parecer ridículo quando agora fala de amor.

Jessica