Dizem, mas não o fazem (Expresso Actual, 16 Out 2010, Page 36)


Sobre Hedda

Dizem, mas não o fazem
Texto Cristina Margato
Expresso Actual
16 Out 2010

Ibsen não teve influência apenas no teatro. A sua peça “Casa de Bonecas”, de 1879, revelou uma mulher mal situada nas regras do casamento da época — acabando por influenciar a discussão sobre o feminismo e logo sobre os direitos da mulher. “Hedda...leia mais...

Barca Bela

Voltou a acontecer magia...




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Adeus!

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Raquel e Filipa comentam um poema de David Mourão-Ferreira

Nada garante que tu existas.
Não acredito que tu existas.
Só necessito que tu existas.”

David Mourão-Ferreira

Nesta composição lírica existe uma aparente contradição, uma vez que  eu poético não sabe e não acredita que um “tu”, como ele idealiza, existe de facto,  no entanto (e paradoxalmente), demonstra  uma absoluta necessidade  desse outro “eu”.  É o outro que lhe dá (ou ajudará a dar sentido) e isto tanto é válido para um poema de amor, como para a relação entre autor e leitor: o texto precisa de um tu que lhe dê sentido.

Podemos ainda acrescentar o facto de o poema manter sempre o mesmo término dos versos (“que tu existas”), tornando-se repetitivo e mostrando mais uma vez, essa necessidade imperiosa. O sujeito lírico contradiz-se, visto que, demonstra nos dois primeiros versos uma certa indiferença e até um aparente desinteresse em relação a essa pessoa., porém, no último verso percebemos a dependência em relação a esse “tu”.Esta composição poética é bastante sucinta e para nós, leitores, é um mistério descortinar quem é o destinatário deste poema.


Filipa Miguel

Neste pequeno e curioso poema da autoria de David Mourão-Ferreira podemos destacar vários aspectos interessantes. O que nos chamas mais à atenção é a contradição do sujeito lírico ao dizer que necessita de uma pessoa, mas não garante e nem sequer acredita que ela exista. Há uma grande complexidade subjacente a este texto, porém creio que  estamos perante a idealização de um “tu”.  Mesmo sem a palavra “amor”, este é, sem dúvida, um poema de amor: há uma procura de um ideal que ajudará a dar sentido à sua existência.
A composição lírica encerra um paradoxo entre o que sabe ser verdade – a necessidade do outro – e a incerteza da sua existência.

Raquel Serafim
 

Barca Bela

aula de 7-10-10


...
Sentido denotativo: aquele que é percebido como constituindo a significação principal da palavra.
É aquele que aparece nos dicionários e outros materiais de consulta.

Sentido conotativo: os diferentes significados que uma palavra pode assumir na sua relação com o contexto.

HEDDA, dia 22, no TNSJ

Hedda, 
Hedda é a resposta por escrito de José Maria Vieira Mendes a uma pergunta de Jorge Silva Melo: “Será possível voltar a Ibsen?” A longa didascália que abre Hedda Gabler (1890) de Henrik Ibsen – atafulhada de móveis, bricabraque, bom gosto burguês – é pulverizada pelo dramaturgo português, que começa a sua Hedda com ela a dizer-nos “Diz”. E este verbo tão performativo, dito com uma urgência conjugada no presente do indicativo, é todo um programa, e parte da resposta ao repto lançado pelo encenador. Sem actualizações, violentações ou cinismos pós-qualquer-coisa, Vieira Mendes reescreve Ibsen para nos devolver personagens capazes de voltar a assombrar o nosso quotidiano vivencial, como se lhes perguntasse, perguntando-nos: “Quem és, o que queres, o que te traz aqui hoje?” Nem Gabler nem Tesman, nem a filha do seu pai nem a mulher do seu marido – Hedda é simplesmente Hedda, ou a tremenda Maria João Luís no lugar dela. E a sua solidão, no caminho para o suicídio, é um assunto que nos toca a todos. [daqui]


DIA 22 vamos ao teatro.

Barca Bela


Que conclusões se podem retirar a partir da nuvem de palavras formada
a partir do poema Barca Bela, de Almeida Garrett?

Duas versões da Barca Bela

 
Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador!

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!

Almeida Garrett


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Angelus Novus, Paul Klee

 Angelus Novus - Paul Klee


"O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos."  Walter Benjamin, Teses sobre o conceito da história.

"Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso". Walter Benjamin, Teses sobre o conceito da história.

Proposta de trabalho #3




(esculturas de Francisco Simões)


Nada garante que tu existes
Não acredito que tu existas

Só necessito que tu existas

David Mourão-Ferreira


[Breve comentário ao poema de David Mourão-Ferreira ]

Que música escutas tão atentamente | Eugénio de Andrade

 (tecto da Ópera Garnier, pintado por Marc Chagall)

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.

Eugénio de Andrade

Os cinco sentidos, Relações Intertextuais



Jogo

Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças.

Nuno Júdice




Os cinco sentidos, Relações Intertextuais


Os teus olhos
exigindo
ser bebidos

Os teus ombros
reclamando
nenhum manto

Os teus seios
pressupondo
tantos pomos

O teu ventre
recolhendo
o relâmpago

David Mourão-Ferreira


Serralves| Projecto com Escolas ... atenção à pg.7!


Clicar aqui e ver a página 7!

Serralves| Projecto com Escolas ... atenção à pg.7!


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A Gaivota, de Anton Tchékhov


"O título original da peça – Tchaïka (a gaivota) – pode evocar em russo o verbo tchaïat’, esperar vagamente, que contém em si um dos temas principais de A Gaivota: a ilusão, a decepção, a divagação, a desilusão, o facto de se estar virado para o futuro e de se esperar o irreal, ou de olhar para o passado, esperando que esse passado descubra uma esperança de ver nele o que aí não existia, uma reconciliação possível."
André Markowicz, Françoise Morvan
“Notes sur La Mouette”. In Pascal Rambert [et al.] – Lexi  ‑Textes. 
5: Inédits et Commentaires. Paris: L’Arche, 2001.



Há realmente muito amor nesta peça, embora em verdade se trate mais de amores desencontrados. Medvedenko ama Macha, que ama Tréplev, que ama Nina, que ama Trigórin, que ama Arkádina, amará e deixará de amar Nina, a qual apesar disso continuará a amá  ‑lo. Até o velho Sórin confessa a sua paixão  por Nina. E há também Polina que ama Dorn, sendo esposa de Chamráev. Só nestes dois últimos não parece haver sintomas de infecção desse vírus. Mas o amor que nas novelas surge como o remédio salvador que tudo redime, não parece ter aqui essa função. 
O papel redentor parece caber aqui à entrega a uma vocação, à confança em si próprio e nas suas capacidades para enfrentar e vencer as difculdades da vida. Nina, rapariguinha provinciana que vivia na ilusão da celebridade, do papel enaltecedor da arte, da criação, terá que passar pelo calvário do fracasso na sua carreira, da desilusão amorosa, para descobrir enfm a autenticidade da sua vocação e a sua força interior, para vencer as difculdades. Tréplev, flho de uma actriz famosa, que passou a vida meio abandonado pela mãe, apagado pela fama da grande actriz, entregue a si mesmo, vê no seu amor por Nina uma tábua de salvação, a única razão verdadeira para viver, e nem o relativo sucesso como escritor basta para o compensar da perda desse amor. [...] 
O tema principal da peça é pois o da ligação do artista com a vida, a ligação do homem com a realidade, decisiva também nos destinos das outras personagens: Trigórin, Tréplev, Arkádina, Macha e outras.    António Pescada aqui