Nós vamos... de metro.
Programa aqui.
Amor vs Paixão
Para mim
o amor
fica-me justo.
Eu só visto
a paixão
de corpo inteiro.
Maria Teresa Horta
o amor
fica-me justo.
Eu só visto
a paixão
de corpo inteiro.
Maria Teresa Horta
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Maria Teresa Horta
Canção da Cacofonia
(obrigada Inês pela lembrança dos Gato Fedorento)
CACOFONIA
Repetição de sons desagradáveis numa mesma sequência frásica. Opõe-se à eufonia e pode aplicar-se também à ocorrência de sons iguais no final de uma palavra e no começo na seguinte (cacófato). Constituem exemplos de cacofonia a aliteração, a colisão, o eco e o hiato. (...) No seuTratado de Metrificação Portuguesa (1851), Feliciano de Castilho propõe três tipos de cacofonias: de torpeza, de imundície e de simples desagrado, todas as espécies atestadas mesmo nos autores clássicos. O conceito de cacofonia é próximo do de dissonância, embora este se reserve para a simples falta de harmonia entre sons próximos, que não têm de ser necessariamente agressivos para o ouvido. (daqui)
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cacofonia,
figuras de estilo
Talk Show | Rui Horta | dia 11.01.11
Rui Horta - Talk Show from Dance Umbrella on Vimeo.
Talk Show é uma obra para quatro intérpretes e duas colunas de som. Um questionamento sobre o corpo enquanto sistema comunicante e sobre o seu desaparecimento ao longo da vida no território maior da sua evidência: o amor. Um homem e uma mulher falam um com o outro à frente de uma plateia. As suas linguagens são simultaneamente a voz e o corpo. O corpo é a nossa única propriedade, tudo o que realizamos tem a sua medida, tanto no espaço como no tempo. Talk Show é um road movie do corpo. Um exercício de curiosidade e inquietude perante o desconhecido. aqui
Nas Trevas, Camilo Castelo Branco
Nas Trevas é o último livro de Camilo publicado em vida. Nesta altura, Camilo estaria já quase cego, daí o título. É curioso verificar que as reacções dos media criticadas nos dois sonetos abaixo, são semelhantes às dos dias de hoje.
A outra metade
Quando este corpo meu esfacelado
Baixar á leiva húmida da cova,
Hão de os jornais carpir a infausta nova,
Taxando-me de sábio consumado.
Estalará na imprensa enorme brado,
Pedindo a ressurgência d’um Canova
Que a morta face em mármore renova
Para insculpir meu busto laureado.
E algum dos imbecis necrologistas,
Com soluçantes vozes de saudade,
Dirá em ricas frases nunca vistas:
“Esse génio imortal, rei dos artistas,
No céu pede ao Senhor que a outra metade
Reparta por vocês, ó jornalistas!”
Comédia humana
Literatos! Chorai-me, que eu sou digno
Da vossa gemebunda e velha táctica!
Se acaso tendes crimes em gramática,
Farei que vos perdoe o Deus benigno.
Demais conheço a prosa inflada, enfática,
Com que chorais os mortos; e o maligno
Desafecto aos que vivem… Não me indigno…
Sei o que sois em teoria e em prática.
Quando o avô desta vã literatura
Garret, era levado á sepultura,
Viu-se a imprensa verter prantos sem fim…
Pois seis dos literatos mais magoados,
Saíram, nessa noite embriagados,
Da crapulosa tasca do Penim.
.
Nota: a tasca do Penim era frequentada por artistas e situava-se na Rua do Regedor (junto à Rua da Madalena na Baixa Pombalina).[via Crónicas Portuguesas]
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Camilo Castelo Branco
Discurso ao príncipe de Epaminondas, mancebo de grande futuro | Mário Cesariny
Discurso ao príncipe de Epaminondas,
mancebo de grande futuro
Despe-te de verdades
das grandes primeiro que das pequenas
das tuas antes que de quaisquer outras
abre uma cova e enterra-as
a teu lado
primeiro as que te impuseram eras ainda imbele
e não possuías mácula senão a de um nome estranho
depois as que crescendo penosamente vestiste
a verdade do pão a verdade das lágrimas
pois não és flor nem luto nem acalanto nem estrela
depois as que ganhaste com o teu sémen
onde a manhã ergue um espelho vazio
e uma criança chora entre nuvens e abismos
depois as que hão-de pôr em cima do teu retrato
quando lhes forneceres a grande recordação
que todos esperam tanto porque a esperam de ti
Nada depois, só tu e o teu silêncio
e veias de coral rasgando-nos os pulsos
Então, meu senhor, poderemos passar
pela planície nua
o teu corpo com nuvens pelos ombros
as minhas mãos cheias de barbas brancas
Aí não haverá demora nem abrigo nem chegada
mas um quadrado de fogo sobre as nossas cabeças
e uma estrada de pedra até ao fim das luzes
e um silêncio de morte à nossa passagem
Mário Cesariny
Manual de Prestidigitação
Lisboa, Assírio & Alvim, 1981
[e o poema aconteceu] Joana Dias
[e o poema aconteceu] Joana Dias
Quem és tu?
Ninguém...
Quem és tu?
Advérbio do Nada...
Quem és tu?
Ninguém...
Quem és tu?
Advérbio do Nada...
[Alice do Outro Lado do Espelho, Lewis Carroll]- Não vejo ninguém na estrada! Disse Alice.
- Quem me dera ter uns olhos como os teus. Observou o Rei, num tom de mau humor
- Consegues ver ninguém! E ainda por cima a uma distância destas! Olha que já é bom eu conseguir ver alguém com esta luz!
Déjeuner sur l’Herbe, Manet
Tudo leva a crer que a intenção de Manet foi das mais ambíguas. Quis ele produzir uma obra-prima moderna, associando a pintura dos mestres com meios simplificados. A mistura de tradição e de imediatismo, de cultura de elite e de referencias triviais, faz do Déjeuner sur l’Herbe um emblema da modernidade (...). As audácias técnicas e a insolência do tema contribuíram juntas para fazer desse quadro o primeiro quadro moderno, com a imperfeição que isso supõe e que a Olympia, em parte, resolverá” (Antoine Compagnon)
Amar não acaba, Frederico Lourenço
"O Teatro é que me apaixonou. O ambiente; as frisas e camarotes; o dourado discreto do estuque e o rosa velho dos estofos. O ar que se respirava lá dentro era mágico: tinha outra constituição molecular, outro cheiro; entrava nos pulmões e desencadeava ondas de prazer que sobrelevavam a qualquer deleite masturbatório. À lenta diminuição das luzes da sala, anunciando o fim do intervalo e o início do acto seguinte, sobressaíam com subtil refulgência os contornos esculpidos das quatro ordens de camarotes: e os meus colegas de turma sentados nos seus lugares, agora silhuetas à meia-luz vislumbradas na frisa ao lado ou no camarote em frente, perdiam a boçalidade que eu tão bem lhes conhecia do recreio e das casas de banho do liceu, para me parecerem de repente transformados em príncipes e poeta. Os feios tornavam-se bonitos; os bonitos, lindos de morrer."
Amar não acaba, Frederico Lourenço [via Raquel]
Inverno, Sophia de Mello Breynner Andresen
Inverno
Este Inverno é longo gélido
E confuso
Na varanda só o vento passa
E o vento olha-nos de esguelha quando passa
Nenhum poema aflora
Entre linhas finas e aéreas
Da página em branco
Sophia de Mello Breynner Andresen, Obra Poética
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Sophia de Mello Breynner Andresen
O Dito Cujo do 5.ºB e pelo 5.ºB
Hoje o 5.ºB fez-nos uma visita (e que visita), trouxe-nos o Dito Cujo de Rui Manuel Amaral e leu-nos (e bem) a sua versão da história. Em breve, disponibilizaremos o video...
Para os mais curiosos o texto está no site do livro de Rui Manuel Amaral, Dr. Avalanche.
No fim, houve ainda tempo para perguntas difíceis: o 5.ºB queria saber o que era isso de "Literatura"... A Filipa Miguel, com convicção citou Rui Manuel Amaral, dizendo que a literatura é uma macieira que dá laranjas...
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5.ºB,
Rui Manuel Amaral
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