Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo
-
- mãe, dou-lho ou não?
Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
-
- mãe, dou-lho ou não?
Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
-- mãe, dou-lho ou não?
(Eugénio de Andrade - Poesia e Prosa)
Com efeito, esta composição poética tem marcas que nos remetem para a tradição da lírica medieval.
Eugénio de Andrade, poeta contemporâneo português, recorre aos artifícios das cantigas de amigo para recriar uma pequena história de amor.
O eco das cantigas de amigo está presente na construção paralelística e na presença da mãe. Tradicionalmente, a mãe funciona como confidente e adjuvante; aqui é a voz que ouve os anseios do sujeito de enunciação.
Como nas cantigas de amigo há um refrão, neste caso um refrão que implica uma escolha. A “amiga” é sujeita a uma série de pedidos: cravo, lenço, coração. Deu o cravo, símbolo quiçá da liberdade, deu o lenço bordado e, agora, tem dúvidas sobre se dará ou não o o coração.
Como nas cantigas de amigo, sentimos a dúvida, a ansiedade, o despertar dos amores. Isto prova, que o tema amoroso, passem os séculos que passarem, é omnipresente.
Oficina de escrita
Partindo da sua experiência de leitura da lírica trovadoresca, refira-se, num texto de cem a duzentas palavras, ao tema do sofrimento amoroso nas cantigas de amor.
O sofrimento amoroso é uma constante na lírica trovadoresca e não só. Com efeito, raras são as épocas literárias em que a dor de amor não esteja presente.
Nas cantigas de amor, o sofrimento amoroso toma o nome de “coita de amor” e é sentido pelo sujeito de enunciação. Nestas cantigas, de sabor provençal, o trovador, respeitando a identidade da sua “senhor”, mostra o quanto por ela sofre e até se mostra disposto a morrer por ela. Convém dizer que a “senhor” era uma mulher casada, daí a necessidade do trovador manter o anonimato sobre ela, bem como de sofrer sem ter qualquer esperança de ser correspondido.
A “coita de amor” é , de certo modo, uma representação do amor platónico. Um amor que se contenta com a admiração, pois sabe que não merece ser correspondido.
Ler é Preciso! - apresentação da leitura encenada
No dia 22 de abril, na Biblioteca do Agrupamento de Escolas do Cerco, o 10.ºC e o 10.ºD de Literatura Portuguesa apresentaram ao 2.ºA da EB1/JI da Corujeira uma leitura encenada de "Uma história que começa pelo fim", um dos contos que faz parte do livro Histórias que me contaste tu, de Manuel António Pina.
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Manuel António Pina
Sob o signo da subversão, "Uma história que começa pelo fim”, de Manuel António Pina.

Sob o signo da subversão,
"Uma história que começa pelo fim”,
de Manuel António Pina.
Manuel António Pina subverteu os cânones da literatura tradicional, assim, ao invés de iniciar o seu conto como habitualmente: “era uma vez”, “há muito, muito tempo” e de narrar o desenvolver de um conflito, que no fim acaba bem, prefere começar pelo fim.
O autor, desta forma, frustra as expetativas do leitor, pois não segue os trilhos habituais do conto tradicional: o início é o fim. De facto, quantos de nós já não se questionaram sobre o depois do “foram felizes para sempre”?
Diz-se que palavras como “sempre” e “nunca” devem ser evitadas, não é isso que o narrador faz, ele questiona-as: “o que é para sempre?”. E vai mais além: pode ser-se feliz para sempre? O que é ser feliz? Como se mede a felicidade?
Para “desmontar” algumas ideias feitas, M.A.P. coloca um príncipe e uma princesa numa situação absurda: aborrecidos com a monotonia do “felizes para sempre”...
O autor, desta forma, frustra as expetativas do leitor, pois não segue os trilhos habituais do conto tradicional: o início é o fim. De facto, quantos de nós já não se questionaram sobre o depois do “foram felizes para sempre”?
Diz-se que palavras como “sempre” e “nunca” devem ser evitadas, não é isso que o narrador faz, ele questiona-as: “o que é para sempre?”. E vai mais além: pode ser-se feliz para sempre? O que é ser feliz? Como se mede a felicidade?
Para “desmontar” algumas ideias feitas, M.A.P. coloca um príncipe e uma princesa numa situação absurda: aborrecidos com a monotonia do “felizes para sempre”...
Uma história que começa pelo fim
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António Veira
António Vieira
O céu estrela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e a gloria tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.
No imenso espaço seu de meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.
Mas não, não é luar: é luz do etéreo.
É um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.
Fernando Pessoa, Mensagem
O céu estrela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e a gloria tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.
No imenso espaço seu de meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.
Mas não, não é luar: é luz do etéreo.
É um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.
Fernando Pessoa, Mensagem
Barroco
O Barroco caracteriza-se pelo exagero ornamental. Trata-se de um estilo extremamente rebuscado, que se opõe às formas clássicas e sóbrias do Renascimento. Aparentemente, o Barroco é menos profundo, mais superficial do que qualquer outro género. Valoriza-se mais a forma do que o conteúdo.
Há duas tendências da literatura barroca: o cultismo e o concetismo. O cultismo valoriza o artifício da forma, a busca de perfeição formal. Explora a perceção sensorial através do jogo de palavras e da repetição de sons. No cultismo o aspeto exterior é visível por causa do abuso de figuras de linguagem, especialmente sintáticas como a repetição, a anáfora e o quiasmo.
O concetismo valoriza o artifício do conteúdo e volta-se para o requinte expressivo e para a subtileza de ideias. A expressão concetista é mais simples que a dos cultistas, no entanto, a densidade concetual das suas obras tende a dificultar a compreensão.
Os concetistas preocupam-se em exprimir muitas ideias e têm tendência para acumular conceitos e usar palavras com duplo e triplo significado. Assim, as figuras de estilo mais utilizadas são a antítese, os paradoxos, as comparações inesperadas, as metáforas, as imagens, as alegorias, as sinédoques e as hipérboles que conduzem a uma densidade concetual que obscurece o conteúdo.
Medida velha e medida nova
Em Camões coexistiu a poesia com sabor tradicional com uma poesia cujos modelos formais e temáticos revelam a cultura humanística e clássica do poeta.
Assim, e por influência tradicional escreveu vilancetes, cantigas, esparsas, trovas.
Fez uso da Medida Velha e cultivou o verso de cinco sílabas métricas (Redondilha Menor) e de sete sílabas métricas (Redondilha Maior).
Da influência clássica Renascentista Camões, cultivou a Medida Nova fazendo uso do verso decassílabo através da composição poética o soneto (duas quadras e dois tercetos) introduzido em Portugal por Sá de Miranda.
Amor é um fogo que arde sem se ver | Luís de Camões
Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
Amor é um fogo
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Farsa de Inês Pereira
A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, dito pai do teatro português, datada do séc. XVI versa sobre as relações amorosas e sobre a forma como a mulher é, ou melhor, era, tratada. Neste texto dramático, Gil Vicente criou um enredo onde a mulher assume um papel preponderante.
Na corte duvidava-se da originalidade de suas obras, por isso, e a fim de provar que merecia a fama que tinha, desenvolveu uma intriga a partir do mote popular “Antes asno que me leve, que cavalo que me derrube”. É com base neste dito que é contada a história de Inês Pereira, rapariga idealista, sonhadora que, depois de ver os seus sonhos desfeitos, adopta uma postura mais pragmática na vida.
A novidade desta peça, em nosso entender, prende-se com o facto de a mulher ser apresentada como emancipada. Inês escolhe o seu destino, sem dar ouvidos à mãe, voz da razão, nem à alcoviteira. Porém, mesmo depois do casamento se ter tornado uma decepção, volta a arriscar. No entanto, desta vez Inês não se deixa ludibriar e, para não ser enganada, escolhe um marido “asno”. Consideramos que Gil Vicente ousou, ao não penalizar Inês Pereira pelos seus actos, afinal a sua conduta imprópria foi recompensada e ilustrada pelo provérbio: “Antes asno que me leve, que cavalo que me derrube”. Assim, esta pérola vicentina pode ser considerada uma obra feminista avant la lettre.
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Vergílio Ferreira
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| Filipe Acosta |
"Inventa a eternidade na simples comoção de olhar uma estrela.
Basta que a olhes pela primeira vez, depois de a teres olhado inúmeras vezes.
E, então, não precisarás de nenhum Deus que te ponha a mão no ombro e diga estou aqui. Uma estrela espera-te desde toda a eternidade.
Procura-a.
E vê se não a perdes durante a vida inteira.
A tua estrela pode não estar no céu.
Põe-na lá."
Dia de Natal, António Gedeão
Dia de Natal
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
António Gedeão
O RETRATO , Ana Luísa Amaral
O RETRATO
Ora esguardae,
escreveu o outro,
quando dele falou nas suas crónicas.
escreveu o outro,
quando dele falou nas suas crónicas.
Eu digo que se esguardardes
demais
pondes o vosso coração em perigo,
porque ficar eis a saber
o que talvez não vos seja de interesse,
as verdades que tínheis como certas.
pondes o vosso coração em perigo,
porque ficar eis a saber
o que talvez não vos seja de interesse,
as verdades que tínheis como certas.
Esguardar é considerar,
e eu não sei se deveis considerar verdadeiramente a sua história
ou se não é preferível que vos fiqueis junto aos mitos,
às histórias que se contaram e o fizeram grande,
a ele, que tal não se considerava
depois da morte daquela que amava.
e eu não sei se deveis considerar verdadeiramente a sua história
ou se não é preferível que vos fiqueis junto aos mitos,
às histórias que se contaram e o fizeram grande,
a ele, que tal não se considerava
depois da morte daquela que amava.
Basta olhar para aquele seu
retrato
e para a angústia nos seus olhos.
e para a angústia nos seus olhos.
Ora esguardae essa angústia
sem esguardardes a história como vos foi contada.
Talvez então o muimento de alva pedra
comece a fazer outro sentido,
e, com ele, os bichos que o povoam:
as caras dos algozes?, as faces
dos tempos que corriam?, cheios de doenças,
de febres, tempos assustados.
sem esguardardes a história como vos foi contada.
Talvez então o muimento de alva pedra
comece a fazer outro sentido,
e, com ele, os bichos que o povoam:
as caras dos algozes?, as faces
dos tempos que corriam?, cheios de doenças,
de febres, tempos assustados.
Esguardae esse retrato:
a sua barba, a mão que ali foi posta a segurar a espada,
a capa, tão vermelha, sobre os ombros.
a sua barba, a mão que ali foi posta a segurar a espada,
a capa, tão vermelha, sobre os ombros.
Dele falaram e da sua amada.
Esguardae o seu olhar, cuidadosamente,
e vereis que é um olhar enrouquecido pela loucura.
Pensará nela?
Esguardae o seu olhar, cuidadosamente,
e vereis que é um olhar enrouquecido pela loucura.
Pensará nela?
Não são as dobras em relevo
da tinta de óleo do retrato
da tinta de óleo do retrato
que poderão dar-vos a resposta.
Só a memória dessas dobras e da
tinta espessa
saberia dizer-vos se era nela que ele pensava,
mas a essa memória não tendes vós acesso.
Nem às memórias
de quem pintou o retrato,
ido há tanto tempo como o seu modelo.
saberia dizer-vos se era nela que ele pensava,
mas a essa memória não tendes vós acesso.
Nem às memórias
de quem pintou o retrato,
ido há tanto tempo como o seu modelo.
Não sei se eu não terei tido
uma pequena entrada nessas memórias,
eu, seu escudeiro, que o servi
e ouvi tantas vezes os gritos entre ele e seu pai.
Eu, que vi, replicados em espelho,
amores seus iguais ao primeiro amor,
e de como desejou erguer noutros lugares túmulos
tão belos como aquele que erguera
em honra da morte, branco e belo.
É o primeiro amor o mais gentil,
O melhor sempre?
Como dizer do ponto central da paixão,
quando mente e corpo,
recuados antes e protegidos pelo terror daperda,
se deixam enfim conquistar?
Teria o pintor pensado nisto
no instante em que prendeu aquele olhar?
Entrei várias vezes na sala,
levando vinho e bolos,
mas o pintor estava sempre de costas para mim.
E eu pousava a bandeja na mesa
e afastava-me, sem uma palavra.
Nunca me chamou para junto de si, o meu senhor,
nos dias em que posou para o retrato.
Nem nunca teve comigo confidências
sobre aquela que perdera,
por obra de seu pai.
Mas eu, porque o servia todas as manhãs
e o acompanhei durante tanto tempo, e à sua dor,
eu conhecia-lhe os tons,
as paletas de cor por detrás da íris dos olhos,
as formas mutantes
conforme as jardas do sofrimento.
E juro que o pintor
soube resguardar o seu olhar.
Como se fôsseis presente
podeis agora esguardá-lo.
E meditar sobre ele.
uma pequena entrada nessas memórias,
eu, seu escudeiro, que o servi
e ouvi tantas vezes os gritos entre ele e seu pai.
Eu, que vi, replicados em espelho,
amores seus iguais ao primeiro amor,
e de como desejou erguer noutros lugares túmulos
tão belos como aquele que erguera
em honra da morte, branco e belo.
É o primeiro amor o mais gentil,
O melhor sempre?
Como dizer do ponto central da paixão,
quando mente e corpo,
recuados antes e protegidos pelo terror daperda,
se deixam enfim conquistar?
Teria o pintor pensado nisto
no instante em que prendeu aquele olhar?
Entrei várias vezes na sala,
levando vinho e bolos,
mas o pintor estava sempre de costas para mim.
E eu pousava a bandeja na mesa
e afastava-me, sem uma palavra.
Nunca me chamou para junto de si, o meu senhor,
nos dias em que posou para o retrato.
Nem nunca teve comigo confidências
sobre aquela que perdera,
por obra de seu pai.
Mas eu, porque o servia todas as manhãs
e o acompanhei durante tanto tempo, e à sua dor,
eu conhecia-lhe os tons,
as paletas de cor por detrás da íris dos olhos,
as formas mutantes
conforme as jardas do sofrimento.
E juro que o pintor
soube resguardar o seu olhar.
Como se fôsseis presente
podeis agora esguardá-lo.
E meditar sobre ele.
Ana Luísa
Amaral, in Vozes
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