Mostrando postagens com marcador Camilo Castelo Branco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Camilo Castelo Branco. Mostrar todas as postagens
Nas Trevas, Camilo Castelo Branco
Nas Trevas é o último livro de Camilo publicado em vida. Nesta altura, Camilo estaria já quase cego, daí o título. É curioso verificar que as reacções dos media criticadas nos dois sonetos abaixo, são semelhantes às dos dias de hoje.
A outra metade
Quando este corpo meu esfacelado
Baixar á leiva húmida da cova,
Hão de os jornais carpir a infausta nova,
Taxando-me de sábio consumado.
Estalará na imprensa enorme brado,
Pedindo a ressurgência d’um Canova
Que a morta face em mármore renova
Para insculpir meu busto laureado.
E algum dos imbecis necrologistas,
Com soluçantes vozes de saudade,
Dirá em ricas frases nunca vistas:
“Esse génio imortal, rei dos artistas,
No céu pede ao Senhor que a outra metade
Reparta por vocês, ó jornalistas!”
Comédia humana
Literatos! Chorai-me, que eu sou digno
Da vossa gemebunda e velha táctica!
Se acaso tendes crimes em gramática,
Farei que vos perdoe o Deus benigno.
Demais conheço a prosa inflada, enfática,
Com que chorais os mortos; e o maligno
Desafecto aos que vivem… Não me indigno…
Sei o que sois em teoria e em prática.
Quando o avô desta vã literatura
Garret, era levado á sepultura,
Viu-se a imprensa verter prantos sem fim…
Pois seis dos literatos mais magoados,
Saíram, nessa noite embriagados,
Da crapulosa tasca do Penim.
.
Nota: a tasca do Penim era frequentada por artistas e situava-se na Rua do Regedor (junto à Rua da Madalena na Baixa Pombalina).[via Crónicas Portuguesas]
Etiquetas:
Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição (Grandes Livros)
A versão integral do documentário sobre a obra Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, produzido para a série “Grandes Livros”, inserida, neste momento, na programação da RTP2, está disponível no YouTube.
Etiquetas:
Amor de Perdição,
Camilo Castelo Branco,
Grandes Livros
Amor de Perdição, no regresso às aulas...

Caríssimos alunos, lembro que segunda-feira regressaremos a Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco.
A imagem acima pertence ao filme Amor de Perdição, de Manoel de Oliveira. Uma das quatro versões cinematográficas da obra de Camilo.
A primeira versão data de 1921 e é de Georges Pallu. Trata-se, ainda, de um filme do dito cinema mudo. O filme estreou no Porto, com uma pequena orquestra a tocar a partitura de Armando Leça, especialmente composta para o filme.
A segunda versão cinematográfica da obra pertence a António Lopes Ribeiro, é de 1943, e teve a sua estreia no Coliseu do Porto.
A terceira versão é da autoria de Manoel de Oliveira.
O filme de Oliveira data de 1978, um então "jovem" cineasta de 70 anos. O filme é uma adaptação total e literal da obra de Camilo - nenhuma palavra do romance foi excluída - e tem a duração de 4 horas e 20 minutos.
Em Março de 2009, estreará Um Amor de Perdição, filme de Mário Barroso, vagamente inspirado na novela camiliana. Estaremos cá para dizer de nossa justiça.
Etiquetas:
Camilo Castelo Branco
PREFÁCIO DA QUINTA EDIÇÃO de AMOR DE PERDIÇÃO
PREFÁCIO DA QUINTA EDIÇÃO de AMOR DE PERDIÇÃO
Publiquei, há vinte e dois anos, o romance Onde Está a Felicidade? - Pouco depois, Alexandre Herculano, republicou as Lendas e Narrativas, escrevia na Advertência: ...Nestes quinze ou vinte anos, criou-se uma literatura, e pode dizer-se que não há ano que não lhe traga um progresso. Desde as Lendas e Narrativas até o livro Onde Está a Felicidade? que vasto espaço transposto?”
Se comparo o Amor de Perdição, cuja 5ª edição me parece um êxito fenomenal e extra-lusitano, com O crime do Padre Amaro e O Primo Basílio confesso, voluntariamente resignado, que para o esplendor destes dois livros foi preciso que a Arte se ataviasse dos primores lavrados no transcurso de dezasseis anos. O Amor de Perdição, visto à luz eléctrica do criticismo moderno, “é um romance romântico, declamatório, com bastante aleijões líricos, e umas ideias celeradas que chegam a tocar no desaforo do sentimentalismo". Eu não cessarei de dizer mal desta novela, que tem a boçal inocência de não devassar alcovas, a fim de que as senhoras a possam ler nas salas, em presença de suas filhas ou de suas mães, e não precisem de esconder-se com o livro no seu quarto de banho. Dizem, porém, que o Amor de Perdição fez chorar. Mau foi isso. Mas agora, como indemnização, faz rir: tornou-se cómico pela seriedade antiga, pelo raposinho que lhe deixou o raço das velhas histórias do Trancoso e do padre Teodora de Almeida.
E por isso mesmo se reimprime. O bom senso público relê isto, compara com aquilo, e vinga-se barrufando com frouxos de riso realista as páginas que há dez anos aljofarava com lágrimas românticas.
Faz-me tristeza pensar que eu floresci nesta futilidade da novela quando as dores da alma podiam ser descritas sem grande desaire da gramática e da decência. Usava-se então a retórica de preferência ao calão. O escritor antepunha a frequência de Quintiliano à do Colete-encarnado. A gente imaginava que os alcouces não abriam gabinetes de leitura e artes correlativas. Ai! quem me dera ter antes desabrochado hoje com os punhos arregaçados para espremer o pus de muitas escrófulas à face do leitor! Naquele tempo, enflorava-se a pústula; agora, a carne com vareja pendura-se na escápula e vende-se bem, porque muita gente não desgosta de se narcisar num espelho fiel.
Pois que estou a dobrar o cabo tormeatório da morte, já não verei onde vai desaguar este enxurro, que rola no bojo a Ideia Novíssima. Como a honestidade é a alma da vida civil, e o decoro é o nó dos liames que atam a sociedade, lembra-me se vergonha e sociedade ruirão ao mesmo tempo por efeito de uma grande evolução-rigol-boche. A lógica diz isto; mas a Província, que usa mais da metafísica que da lógica, provavelmente fará outra coisa. Se, por virtude da metempsicose, eu reaparecer na sociedade do século XXI, talvez me regozije de ver outra vez as lágrimas em moda nos braços da retórica, e esta 5ª edição do Amor de Perdição quase esgotada.
Publiquei, há vinte e dois anos, o romance Onde Está a Felicidade? - Pouco depois, Alexandre Herculano, republicou as Lendas e Narrativas, escrevia na Advertência: ...Nestes quinze ou vinte anos, criou-se uma literatura, e pode dizer-se que não há ano que não lhe traga um progresso. Desde as Lendas e Narrativas até o livro Onde Está a Felicidade? que vasto espaço transposto?”
Se comparo o Amor de Perdição, cuja 5ª edição me parece um êxito fenomenal e extra-lusitano, com O crime do Padre Amaro e O Primo Basílio confesso, voluntariamente resignado, que para o esplendor destes dois livros foi preciso que a Arte se ataviasse dos primores lavrados no transcurso de dezasseis anos. O Amor de Perdição, visto à luz eléctrica do criticismo moderno, “é um romance romântico, declamatório, com bastante aleijões líricos, e umas ideias celeradas que chegam a tocar no desaforo do sentimentalismo". Eu não cessarei de dizer mal desta novela, que tem a boçal inocência de não devassar alcovas, a fim de que as senhoras a possam ler nas salas, em presença de suas filhas ou de suas mães, e não precisem de esconder-se com o livro no seu quarto de banho. Dizem, porém, que o Amor de Perdição fez chorar. Mau foi isso. Mas agora, como indemnização, faz rir: tornou-se cómico pela seriedade antiga, pelo raposinho que lhe deixou o raço das velhas histórias do Trancoso e do padre Teodora de Almeida.
E por isso mesmo se reimprime. O bom senso público relê isto, compara com aquilo, e vinga-se barrufando com frouxos de riso realista as páginas que há dez anos aljofarava com lágrimas românticas.
Faz-me tristeza pensar que eu floresci nesta futilidade da novela quando as dores da alma podiam ser descritas sem grande desaire da gramática e da decência. Usava-se então a retórica de preferência ao calão. O escritor antepunha a frequência de Quintiliano à do Colete-encarnado. A gente imaginava que os alcouces não abriam gabinetes de leitura e artes correlativas. Ai! quem me dera ter antes desabrochado hoje com os punhos arregaçados para espremer o pus de muitas escrófulas à face do leitor! Naquele tempo, enflorava-se a pústula; agora, a carne com vareja pendura-se na escápula e vende-se bem, porque muita gente não desgosta de se narcisar num espelho fiel.
Pois que estou a dobrar o cabo tormeatório da morte, já não verei onde vai desaguar este enxurro, que rola no bojo a Ideia Novíssima. Como a honestidade é a alma da vida civil, e o decoro é o nó dos liames que atam a sociedade, lembra-me se vergonha e sociedade ruirão ao mesmo tempo por efeito de uma grande evolução-rigol-boche. A lógica diz isto; mas a Província, que usa mais da metafísica que da lógica, provavelmente fará outra coisa. Se, por virtude da metempsicose, eu reaparecer na sociedade do século XXI, talvez me regozije de ver outra vez as lágrimas em moda nos braços da retórica, e esta 5ª edição do Amor de Perdição quase esgotada.
S. Miguel de Seide, 8 de fevereiro de 1879.
Camilo Castelo Branco
Etiquetas:
Amor de Perdição,
Camilo Castelo Branco
Camilo Castelo Branco
Camilo Castelo Branco
Publish at Scribd or explore others:
Etiquetas:
Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco

Amor de Perdição" de Georges Pallu (Col. Cinemateca Portuguesa)
O livro de Camilo Castelo Branco - Amor de Perdição - trata da história de amor de Simão António Botelho e Teresa de Albuquerque.
Este livro desperta bastante interesse logo desde o início da história, uma vez que há um forte impedimento familiar a este amor.
Sem querer desvendar o final, não podemos deixar de repetir: «Amou, perdeu-se e morreu amando».
Este livro desperta bastante interesse logo desde o início da história, uma vez que há um forte impedimento familiar a este amor.
Sem querer desvendar o final, não podemos deixar de repetir: «Amou, perdeu-se e morreu amando».
Etiquetas:
Camilo Castelo Branco,
recensão crítica,
Sandra Sousa
Assinar:
Postagens (Atom)
