Mostrando postagens com marcador Luís Quintais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luís Quintais. Mostrar todas as postagens

Riscava a palavra dor no quadro negro, Luís Quintais


VII

O esboço na página profunda
profunda do que não escreverei

é aquilo a que chamam de poema,
um mapa da cidade sem mapa,

da cidade irreal, da cidade cortejo da morte
e esquecimento, da cidade-fria-lâmina

acercando-sr do que está no vidro da mente
como um reflectido império antigo.

Para esse lugar de leveza ingrata,
transporto os impossíveis

que a biografia disse
necessários e urgentes.

Luís Quintais, in Riscava a palavra dor no quadro negro 

Deriva | Luís Quintais

(La vie continue d’être libre et facile - Collage expédié par Guy Debord à Constant en 1959)

DERIVA


Serás tua a figuração plena de uma deriva sem nome?
Estarei eu em falta, incompleto e preso às diferenças
da linguagem, isto é, à estreita virtude que nos liga sob a
tempestade?

É opaco o sentido: diz a contemplação do teu corpo
(contágio de árvores sensíveis sob um céu fantasma)
diz a erudição das metáforas apontada á cabeça.

Rememoro os círculos com que rodopiamos,
uma e outra vez,
na eterna deflagração dos ventos.


Luís Quintais

A música |Luís Quintais


Depressa
as gargantas
foram cortadas.

Agora, em ti, habitando-te:
música desse sangue
tão espesso,

tão mais espesso
que a água.


Luís Quintais