O desafio foi hoje lançado, por Sérgio Letria, da Fundação José Saramago, a partir de A Maior Flor do Mundo: “Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?"
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Saramago - 16/11
Sou da Azinhaga, uma aldeia do concelho da Golegã, no Ribatejo. Os meus pais eram gente do campo. Nasci numa família camponesa sem terra. O meu avô Jerónimo e a minha avó Josefa tinham uma pequeníssima criação de porcos. Viviam disso, com as pocilgas ao lado da casa. O meu pai tinha feito a Guerra de 1914-18 na artilharia. No regresso decidiu sair da terra e emigrar. Foi para a PSP. Aos dois anos, o resto da família transferiu-se. Eu, a minha mãe e um irmão meu mais velho, que viria a morrer em Dezembro de 1924, poucos meses depois de estarmos em Lisboa. Se mal vivíamos, mal continuámos a viver. O ordenado do polícia era uma coisa ínfima, mas era outra vida.A partir dos meus 5 ou 6 anos, primeiro com a família, depois sozinho, passava todo o tempo na terra. O que é importante nas minhas recordações formativas, tem muito mais que ver com o campo, do que com a cidade. A primeira coisa que fazia quando chegava à terra, nas férias grandes, era tirar os sapatos. A última coisa que fazia, quando tinha de voltar a casa, em Outubro, para regressar à escola, era calçar os sapatos. Durante esses três meses os pés tinham crescido e não entravam facilmente nos sapatos. Isto acontece até aos 15 ou 16 nos, e corresponde a um período muito vivido na aldeia.
Um dia resolveu-se levar os porcos à feira de Santarém. Da Azinhaga até lá, pelo campo, serão uns 15 ou 20 km. Saímos muito perto do fim da tarde e dormimos no caminho, na cavalariça de uma quinta, com os porcos recolhidos a uma pocilga. Não consigo, nem quero esquecer, o cheiro dos animais, os ruídos dos cavalos batendo com os cascos, o remoer da comida. Foi uma noite mágica. Tínhamos de acordar muito cedo, aí pelas cinco da madrugada, ou até um pouco antes. Quando me levanto e saio para um grande pátio, vejo a lua, a luz, o luar... Fiquei paralisado de espanto, de emoção, pela intensidade daquela luz. Apesar da minha cara de pau e da aparente frieza, sou uma pessoa que se emociona com uma facilidade incrível. Sempre fui assim. Coisas de uma simplicidade extraordinária podem emocionar-me até à lágrima. São infinitos os momentos de emoção.
O meu pai deu-me uma vez uma bofetada totalmente injusta e disse-lho muito mais tarde, mas não sofri os açoites que naquela altura eram regra. Eu, também, era uma criança fácil. Sobretudo melancólica. Quando estava na terra, muitas vezes saía de casa com um bocado de pão no bolso e uma rodela de chouriço e andava horas e horas naqueles campos, quase sempre sozinho. Sentava-me à beira do rio, não como o Ricardo Reis, mas creio que estava a preparar-se ali a pessoa em que me tornei.
O passado não cura. Deixa-se curar. No fundo trata-se de saber se aquilo que nos aconteceu é verdadeiramente importante ou não. Se as coisas não são importantes, nem vale a pena fazermos um esforço para reavivá-las, porque já se diluíram, estão mortas. Num quadro geral de meios-tons, de que o passado está cheio, tudo tem importância, mas tudo se relativiza mutuamente. Pode acontecer que algumas coisas não seja possível perdoá-las.
Se olho para trás, além da bofetada do meu pai, que não tinha nenhuma razão, e da qual não me esqueci, o que não perdoo é a história que rodeou o Evangelho Segundo Jesus Cristo, e que me fez sair de Portugal. Já passaram mais de dez anos, mas não esqueço. Também não importa nada. Eu faço a minha vida, as pessoas que cometeram esse disparate - só lhe chamo disparate nesta altura - fazem a sua própria, e acabou, mas não contem comigo. É algo de muito profundo. Detesto a hipocrisia. Não suporto aquele que, por natureza, ou por qualquer tipo de deformação moral, se transforma num hipócrita. O que se fez, seria compreensível se vivêssemos numa ditadura. É essa a regra. Agora, em democracia, dizer que um livro não pode representar o país, porque o povo português é maioritariamente católico, é algo que não admito.
Sou uma pessoa tranquila, em relação à religião. Fui baptizado, mas não tive educação religiosa. Nunca senti nenhum apelo emocional. Sou simplesmente um ateu, que nem sequer é capaz de conceber, mesmo só como construção mental, a possibilidade da existência de um Deus.
O dia mais importante da minha vida, à luz dos últimos 18 anos que vivi, foi o encontro com a minha mulher. É um mundo outro que nasce. É um mundo, que sendo o mesmo, o modo de vivê-lo mudou radicalmente com a chegada de Pilar. Se eu tivesse morrido um ano antes de a ter conhecido, teria morrido muito mais velho do que sou agora.
No plano da minha vida activa, há um tempo em que determinada decisão ganha corpo, não duvida de si mesma e de repente manifesta-se. Quando em 1975 perdi o meu emprego no «Diário de Notícias», onde era director-adjunto, encontrei-me numa situação bastante curiosa. Foi decretado o estado de sítio nos últimos dias de Novembro. Não se podia entrar, nem sair de Lisboa. O Mário Castrim e eu tínhamos um encontro marcado para Évora, onde nos reunimos depois de levantado o estado de sítio. Nessa conversa entre militantes do PCP, foi levantada esta questão: agora que se acaba o «DN», seria bom que o Partido tivesse um jornal. No dia seguinte fui ao centro de trabalho do PCP, na Avenida António Serpa, e falei com um dos responsáveis. Comuniquei-lhe que os camaradas do Alentejo tinham manifestado aquela vontade. A resposta que obtive foi a de que já estavam a pensar nisso. Achei que era óptimo e disponibilizei-me para o que fosse necessário. Então nasceu «o diário». Eu tinha dito, «se precisarem de mim, chamem-me». Precisaram de toda a gente ligada ao Partido. Muitos que estavam no «DN» e tinham perdido os seus empregos, transitaram para «o diário». Excepto eu. No fundo, talvez isso tenha razões, para quem as considera assim. Quando eu fui nomeado director-adjunto do «DN» decidi suspender a minha relação orgânica com o PCP. Porque não estava ali para receber indicações ou instruções sobre o que deveria ou não ser publicado. Na parte que me coubesse, a responsabilidade era minha. Vem o 25 de Novembro, acontece aquilo e fico à espera. Bem, no fundo não fiquei à espera que me chamassem, porque intuía, tinha-me apercebido o suficiente para ver que eu não tinha cumprido o meu dever. Não que me negasse a cumprir, mas simplesmente porque não reconhecia esse dever como tal. Portanto, com 53 anos, decido tentar finalmente saber o que é que eu poderia chegar a ser como escritor. É nessa altura que vou para o Alentejo, recolho material, começo a viver de traduções de francês. Em 1977 publico o Manual de Pintura e Caligrafia, em 78 o Objecto Quase, em 80 o Levantado do Chão, em 82 o Memorial do Convento. A partir daí começa outra vida. Essa é também uma das coisas que não perdoo. Continuo a ser militante. A única hipótese que não venha a sê-lo, não é que me separe do partido, é que o partido se separe de mim. No sentido de que o partido se converta numa tal coisa, que eu não possa reconhecer-me lá.
Houve um momento em que imaginámos que o mundo podia ser diferente. A prova de que será possível mudar o mundo está em que, desde a sua existência, o mundo não tem feito outra coisa, senão mudar. Uma das causas da frustração de muita gente é que mudou numa direcção, provavelmente previsível com um pouco mais de atenção, mas que a nossa capacidade de ilusão ou de esperança imaginou poder conduzir por outro destino. Não foi isso que aconteceu. Por isso levanto o debate da democracia.
Quando disse, com grande escândalo, que já não celebro o 25 de Abril, a questão é: porque merda tenho de celebrar o 25 de Abril? Tenho um imenso respeito pelas pessoas que o fizeram, mas um enorme desprezo pelas pessoas que o desfizeram. Hoje temos uma censura que se entranha na pele. Há uma autocensura voluntária, ou melhor, resignada. A autocensura de antes do 25 de Abril tinha uma grande diferença: não era resignada. A censura que sabíamos estar lá fora à nossa espera condicionava a expressão do pensamento, mas a nossa atitude em relação à necessidade de nos autocensurarmos não era de resignação. Não quer dizer que fôssemos melhores jornalistas do que somos agora, mas havia uma diferença imensa. Tínhamos contra quem lutar. Agora, embora se saiba contra quem deveríamos lutar, luta-se pouco.
A vida é uma lição para nós, mas talvez também tenhamos algo para ensinar à vida. Por isso, se nos questionamos sobre o que estamos a fazer aqui, acho-me tão ignorante hoje como quando, aos 7 ou 8 anos, me sentava à beira do rio, vendo a água passar.[Expresso (1683 - Página 34) - Sábado, 29 de Janeiro de 2005]
Se essa rua fosse minha: Saramago, Eça, politiquices e politicões
“Nada há de mais ruidoso, e que mais vivamente se saracoteie com um brilho de lantejoulas – do que a política. Por toda essa antiga Europa real, se vêem multidões de politiquetes e de politicões enflorados, emplumados, atordoadores, cacarejando infernalmente, de crista alta. Mas concebes tu a possibilidade de daqui a cinquenta anos, quando se estiverem erguendo estátuas a Zola, alguém se lembre dos Ferry, dos Clemenceau, dos Cánovas, dos Brigth? Podes-me tu dizer quem eram os ministros do império em 1856, há apenas trinta anos, quando Gustave Flaubert escrevia «Madame Bovary»? Para o saber precisas desenterrar e esgaravatar com repugnância velhos jornais bolorentos: e achados os nomes nunca verdadeiramente poderás diferenciar o sujeito Baroche do sujeito Troplong: mas de «Madame Bovary» sabes a vida toda, e as paixões e os tédios, e a cadelinha que a seguia, e o vestido que punha quando partia à quinta-feira na «Hirondelle» para ir encontrar Léon a Rouen! Bismarck todo-poderoso, que é chanceler e de ferro, daqui a duzentos anos será, sob a ferrugem que o há-de cobrir, uma dessas figuras de Estado que dormem nos arquivos e que pertencem só à erudição histórica: o papa Leão XIII, tão grande, tão presente, que até as crianças lhe sabem de cor o sorriso fino, não será mais, na longa fila dos papas, que uma vaga tiara com um número; mas duzentos anos passarão, e mil – e o nome, a figura, e a vida de certo homem que não governou a Alemanha nem a Cristandade, estará tão fresca e rebrilhante como hoje na memória grata dos homens.” Eça de Queirós, Prefácio a «Azulejos» do Conde de Arnoso (Notas Contemporâneas)
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Saramago, por Miguel Carvalho [A Devida…na VISÃO – XXXII]
(foto de Egídio Santos)
Do autocarro aos cafés, da coluna de jornal ao supermercado, o País pergunta: o Presidente da República deveria ou não ter ido ao funeral de José Saramago? Como nesta Terra de Pecado todas as interpretações são livres, também tenho uma: Cavaco não foi porque vai precisar dos votos dos que não leram O Evangelho segundo Jesus Cristo e consideraram Caim uma obra dos infernos. Ou seja, os mesmos votos que o inquilino de Belém terá perdido ao aprovar, contrariado, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Como se sabe, o facto levou a Igreja portuguesa ao desespero. Desde esse dia, anda por aí, numa autêntica Viagem do Elefante, em busca de um candidato a Belém mais bafejado pela graça de Deus. E, já agora, pelo espírito das cruzadas, quem sabe.
Esgrimiram-se, entretanto, outras justificações para a ausência de Cavaco: que não queria ser assobiado, que não queria ser hipócrita, que já tinha feito o que deveria como chefe de Estado… Argumentou-se também que não poderia faltar às cerimónias pela dignidade do cargo que ocupa. Ora, Saramago, que nunca foi um Homem Duplicado e dado a ostentações e vénias pelos senhores de turno, dispensaria bem a presença do homem a quem nunca apertou a mão. Ele, que nem n´As Intermitências da Morte quis fazer as pazes com a figura suprema do Governo que o tratou como um Objecto, Quase, agradeceria, por certo, a ausência.
Claro que, para quem apenas guarda Pequenas Memórias do tempo que passa, a censura ao escritor em pleno cavaquismo deveria ser relegada para Os Apontamentos da História na hora da despedida. Discordo. Naquela altura, goste-se ou não, tiraram tudo o que resta a um escritor: o valor da liberdade de criação e a dignidade das suas palavras. E Provavelmente, Alegria, já agora. Cavaco era chefe de um ajudante de ministro que, a dada altura, se questionou: Que farei com este livro? E tão rápido pensou como decidiu: uma obra incómoda para “o património religioso dos cristãos” não seria candidata ao Prémio Literário Europeu. Disse. E fez. Ontem como hoje, sabe-se o quanto Cavaco é cioso desse património cristão, pelos vistos sagrado. Num Governo que chefiou, um escritor foi relegado para A Caverna e nem Os Poemas Possíveis lhe valeram. Ou alguém ouviu a Cavaco arrependimentos a propósito desse momento triste, qual Ensaio sobre a Cegueira num País em que o mal parece incurável?
Nem por isso, Saramago deixou de ser Levantado do Chão.
Até ao Nobel. E depois dele.
Saramago foi Deste Mundo e do Outro e o gosto, nestas coisas, fica à porta. Entendamo-nos: não preciso de concordar ou aplaudir tudo o que escreveu ou disse. Mas a verdade é que foi nele, mais luminoso e redentor, qualquer Ensaio sobre a Lucidez do que Todos os Nomes que lhe chamaram.
M.C.
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"Um escritor é um homem como os outros: sonha." José Saramago
"Um escritor é um homem como os outros: sonha."
"Todos os dias têm a sua história, um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o descasque miudinho duma palavra, duma sílaba, dum som, para já não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que pensamento é esse que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca mais."
''Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira.''
[José Saramago na contracapa de Levantado do Chão]
José Saramago, "Viagem a Portugal", Caminho - O Campo da Palavra, Lisboa 1995, p. 387.
"Todos os dias têm a sua história, um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o descasque miudinho duma palavra, duma sílaba, dum som, para já não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que pensamento é esse que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca mais."
''Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira.''
[José Saramago na contracapa de Levantado do Chão]
“Não é verdade. A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: «Não há mais que ver», sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já”.
José Saramago, "Viagem a Portugal", Caminho - O Campo da Palavra, Lisboa 1995, p. 387.
Memorial do Convento | Casa dos Afectos

Hoje, no Auditório da Junta de Freguesia de Campanhã, a Casa dos Afectos irá apresentar uma dramatização do romanceMemorial do Convent, de José Saramago.
Do site da Casa dos Afectos:
"Sinopse: Ao fazermos a abordagem inicial a este texto para a respectiva adaptação teatral e, atendendo a que ele se destina a ser maioritariamente apresentado a públicos escolares, tivemos a preocupação de manter o mais intactas possível as linhas mestras que fazem desta genial obra uns dos grandes livros da literatura do século XX, sem, contudo, deixarmos de apresentar, como é perfeitamente lógico, a nossa própria visão, ou leitura, se preferirem, da dita obra. Palco nu, um andaime em fundo, metáfora de elevação de todas as obras humanas, da vida, da emancipação, de conventos, da perfídia, do amor, da utopia. Todas elas, afinal, em plena construção, permanente. Um coro, uma mole de actores envergando a cor do seu labutante sangue, consciência e ponto intemporal da acção. Acção, essa, onde o tempo se mede apenas pela existência rítmica das palavras e dos corpos suspensos em metáforas, ou andaimes, conforme o olhar. Um rei: um fantoche; o poder aparentemente guiado pelos fios invisíveis de Deus. A ironia está lá, no livro, na vida, na história. Não fomos nós. Já recebemos este rei e esta rainha vindos assim: pasmados; suspensos; ridículos clowns de si próprios; pérfidos, ignorantes, prepotentes, com muito pouco de humanidade. Já recebemos, dizia, estes monarcas, vindos assim do fundo dos tempos e das memórias. E o amor: essa torrente de desejo, vítima de todas as mais mortíferas ironias; esse rio de carne em brasa propulsora do maior de todos os sonhos; esse voo de olhares que se explanam entre a cama e o céu, acariciando todas as vontades; a vontade de que o fogo não mata, mas purifica. E todos os poderes metamorfoseados em fé. E ainda a utopia: vontade ancestral dos homens na imitação dos pássaros; na imitação do primeiro som; do primeiro silêncio; da primeira sinfonia da voz. E mais os actores rompendo o corpo com as palavras. Entre o histórico e o romanesco, a narração diverte-se em verbos de palco."
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