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Livros para o sapatinho | Carlos Fiolhais


- Luísa Costa Gomes, Ilusão (ou o que quiserem), D. Quixote.
 Um romance que retrata um país e um tempo onde a escola parece sem rumo. Veja-se, por exemplo, este trecho em que Jorge trava o seguinte diálogo com a sua mulher, a "sotôra" Teresinha, professora de Português: "O ensino tem de ser centrado no aluno!", ajudei. "Não vês que é exactamente o que estou a fazer?" E disse à Jessica: "Fazes uma composição como se estivesses a escrever mensagens aos teus amigos. Experimenta. E ela aceitou o desafio." A Teresinha estende-me então meia folha, mal rasgada ao meio e muito amarrotada: "k ir ao c kumersial? tou tesa! vi la uma caia bué! bora ao kafe! ta de xuva! Tns money? O kajo tb vai! e ka um pao! k tu! kto custa? k? a caia! cei la! m e pra saber, fdse! tnsmoney? não! atao nao da." "É um princípio", disse eu (...). Depois de uma negociação interessante, comprometeu-se a ler os bilhetes de autocarro e os menus do McDonald. São coisas da vida de todos os dias e afinal nós estamos a educar para a vida." 


Provavelmente, o melhor livro que li este ano. 

O órfão | Kleist


A ler até  2 de Dezembro :
O órfão de Bernd Heinrich Wilhelm von Kleist,
disponível
aqui.




Bernd Heinrich Wilhelm Von Kleist (1777-1811). 

Nasceu em Frankfurt-an-der-Oder, Brandenburg, numa família antiga da pequena nobreza, filho dum prestigiado capitão do exército prussiano. Destinado à vida militar, Kleist cedo se demitiu do exército para iniciar um período instável de leituras perturbadoras e de viagens na Europa devastada pelas guerras napoleónicas. A leitura de Kant deixou-o aniquilado, escrevendo à irmã Ulrike: " A ideia de que, nesta Terra, nada sabemos da verdade, absolutamente nada... abalou-me no mais íntimo da minha alma - o meu único objectivo, o meu objectivo supremo, caíu por terra; não resta nada." 
       A crise intelectual de 1801 frutificou em comédias, tragédias e contos. Em 1807, preso pelos Franceses ao tentar entrar em Berlim sem passaporte e acusado de espionagem, passou seis meses na cadeia. Em liberdade, publicou o seu primeiro conto, O Terramoto no Chile. Poucas horas antes de se suicidar, numa estalagem do lago Wannsee, perto de Berlim, escreveu à irmã : "não há lugar para mim nesta Terra". 
       Escolhera celebrar um pacto de suicídio com Henriette Vogel, que sofria de cancro. 
       Kleist publicou os seus oito contos, em dois volumes (1810 e 1811). 

As suas vítimas são heróis cuja dignidade pré-kafkiana consiste em resistirem até à última, antes de serem engolidos pelo caos ou absorvidos pela ordem, o que, feitas as contas e dada a arbitrariedade definitiva, vem a dar no mesmo.


SABER MAIS:

O trágico em Kleist, por Manuela de Sousa Marques. 



Luísa Costa Gomes | Artes na Escola


No próximo dia 2 de Dezembro, Luísa Costa Gomes estará connosco a fim de dar início ao Clube de Leitura e de Escrita.

Luísa Costa Gomes | vida

Nascida em Lisboa, 1954/Licenciatura em Filosofia/Professora do Ensino Secundário/Contista, romancista, dramaturga, dramaturgista, guionista, tradutora, cronista / Publicou 5 romances, 6 volumes de contos, 2 librettos, 10 peças de teatro, entre as quais "Nunca Nada de Ninguém", "Clamor" (sobre textos do Padre António Vieira), "O Céu de Sacadura", "O Último a Rir"/ As peças foram encenadas no ACARTE (Fundação Gulbenkian), Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Nacional de S. João, Teatro Rivoli, Teatro Camões (ópera "Corvo Branco" de Philip Glass e Robert Wilson, ( EXPO 98), Teatro Villaret, etc./ Faz parte do Programa Artes na Escola, a funcionar na Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, desde o ano 2000/ Traduz filmes , teatro e ficção/Dirige a revista "FICÇÕES" (revista de contos)

Luísa Costa Gomes | obra

Ficção

13 Contos de Sobressalto, contos, Editora Bertrand, Lisboa, 1982
Arnheim & Désirée, narrativa, Difel, 1983
O Gémeo Diferente, contos, Difel, 1984
O Pequeno Mundo, romance, Quetzal, 1988
Vida de Ramón, romance, Dom Quixote, 1994
Olhos Verdes, romance, Dom Quixote, 1994
O Defunto Elegante, com Abel Barros Baptista, romance, Relógio d’Água, 1996
Contos Outra Vez, contos, Cotovia, 1997
Educação para a Tristeza, romance, Presença ,1998
Império do Amor, contos, Tinta Permanente, 2001
A Pirata, romance, Dom Quixote, 2006
Setembro, contos, Dom Quixote, 2007
Ilusão (ou o que quiserem), romance, Dom Quixote, 2009

Teatro
Nunca Nada de Ninguém, Cotovia, 1991
Ubardo, seguido de A minha Austrália, Dom Quixote, 1993
Clamor, sobre textos de Vieira, Cotovia, 1994
Duas Comédias, (Um Filho e Vingança de Antero ou O Último a Rir), Relógio d’Água, 1996
O Céu de Sacadura, Cotovia, 1998
Arte da Conversação e Vanessa Vai à Luta, Cotovia, 1999
José Matias, Porto, Ensemble, 2002

Crónicas
Isto e Mais Isto e Mais Isto, Editorial Notícias, 2000