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Pastor, pastorzinho...

Hoje foi o primeiro dia de uma viagem...



Pastor, pastorzinho,
onde vais sozinho?

Vou àquela serra
buscar uma ovelha.
Porque vais sozinho,
pastor, pastorzinho?

Não tenho ninguém
que me queira bem.

Não tens um amigo?
Deixa-me ir contigo.

Eugénio de Andrade

na Corujeira...

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«Glosa da Nau Catrineta», Margarida Vale de Gato

 Há uns tempos, as Corujas Trovadoras brindaram-nos com uma brilhante apresentação da Nau Catrineta, que pode ser vista aqui.
Agora, a provar que a literatura é coisa viva e que os textos falam um com os outros (intertextualidade), deixamos aqui ficar uma  Glosa da Nau Catrineta, belo poema de Margarida Vale de Gato. Nesta glosa , a poetisa (ou poeta, o que mais lhe agradar)  dá voz às três meninas e cada uma delas representa as três parcas.

 «Glosa da Nau Catrineta»

Mote

Mais enxergo três meninas
debaixo de um laranjal,
uma na roca a fiar,
outra sentada a coser,
a mais fermosa de todas
está no meio a chorar.


Glosa

Somos as três irmãs mouras,
nosso pai anda no mar
e lá longe foi buscar
onde o ouro as terras doura
um anel pra nos casar.
Mas um demónio que o tenta
faz passar por genuínas
as visões que lhe apresenta:
“Vejo aplacada a tormenta,
mais enxergo três meninas.
 

Somos as três irmãs parcas
no falar e no folgar,
“Muito riso, pouco siso”,
quis nosso pai avisar
quando partiu com as barcas
nesse dia de improviso.
Seguiu dos ventos a rosa
espinhosa e fatal,
deixou-nos sós e ciosas
debaixo de um laranjal.

 
“Eu sou a irmã da roca
fio finos fios de hera,
quem meus finos fios toca
num ventre de mãe se gera
e num seio desemboca.
Fui eu quem fez o tecido
pra minha avó se encontrar
três vezes com seu marido,
duas rompi-o ao tear
uma na roca a fiar.”
 

“Eu sou a irmã que cerze
e tenho um metro que mede
o fio da alma que impede
o corpo de se perder.
Fui eu quem fez a bainha
dessa espada que levou
o meu pai para vencer
e três vezes me cortou,
duas a enfiar a linha,
outra sentada a coser.”
 

“Eu sou a irmã que carpe,
que tem nas mãos a tesoura,
e no alto dessa escarpa
nas terras que o ouro doura
sou tão bárbara quanto moura.
Fui eu quem cortou o fio
do mastro preso ao navio
do pai que me deu em bodas
ao demo a quem sugeriu
a mais fermosa de todas.”
 

Somos as irmãs que vêem
com um só olho de auguro
que as nossas agulhas têm
o passado e o futuro,
os mundos que há para além
e os mundos que há sob o mundo
onde os mortos vão penar:
e nosso pai, lá no fundo,
que quis o demo comprar
está no meio a chorar.



 Margarida Vale de Gato, in Mulher ao Mar

Coimbra / Montemor-o-Velho / Alcobaça





«Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores;
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.

«Mísero esposo,
Desata o pranto,
Que o teu encanto
Já não é teu.

«Sua alma pura
Nos Céus se encerra;
Triste da Terra,
Porque a perdeu.

«Contra a cruenta
Raiva íerina,
Face divina
Não lhe valeu.

«Tem roto o seio
Tesoiro oculto,
Bárbaro insulto
Se lhe atreveu.

«De dor e espanto
No carro de oiro
O Númen loiro
Desfaleceu.

«Aves sinistras
Aqui piaram
Lobos uivaram,
O chão tremeu.

«Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores:
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.»

Bocage

Amanhã vamos ouvir isto e muito mais nos claustros do Mosteiro   de Alcobaça....

Dia 21 de Abril : Missão Coimbra / Alcobaça

Na igreja abacial de santa Maria de Alcobaça
[...]
Os que em vida se amaram para sempre se juntaram
No cruzeiro de pedra poisam hoje os dois moimentos
Dois poemas em pedra onde em quarenta e seis edículas
Se narra
A história desse amor às vezes alegria quase sempre dor
amor pétreo de Pedro que prepara para Inês esse alvo leito
Em pedra
[...]

Ruy Belo, in A Margem da Alegria

O Rei que o povo escolheu...

 


O 4.ºA, da Eb1 da Corujeira, depois de um requintado lanche, brindou-nos com uma encenação de uma cantiga de amigo de D.Dinis (Ai flores, Ai flores...) e com uma dramatização do milagre das rosas. Nós levamos o "nosso" repórter da história - FERNÃO LOPES - e contámos como o Mestre de Avis se livrou do Conde Andeiro e foi acolhido em glória pelo povo!
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UM LUGAR PARA OS CLÁSSICOS | O rei que o povo escolheu

É já amanhã que vamos à EB1 da Corujeira apresentar uma leitura dramatizada do
do Capítulo XI da Crónica de Fernão Lopes: “Do alvoroço que foi na cidade cuidando que matavom o Meestre, e como aló foi Alvaro Paaes e muitas gentes com ele”.

Amanhã,  daremos a conhecer ao 4.ºA Fernão Lopes e o Mestre de Avis, o rei que o povo escolheu.







FERNÃO LOPES

Começamos hoje a preparar o textos que dará a conhecer Fernão Lopes ao 4.º A da EB1 da Corujeira. Preparem-se para saber quem foi este cronista e para saberem um pouco sobre o Mestre de Avis.


Na imagem: 
Assinatura de Fernão Lopes (Fernandus Lopi)
Consta de uma certidão de 14 de Dezembro de 1436, extraída a pedido do concelho e julgado de Riba de Lima, do Livro das Inquirições Régias, na parte aplicável à região, vistoriada em 26 de Abril de 1228.  Esta preciosidade diplomática foi publicada em 1934, por Rocha Madahil. Elevam-se, assim, a vinte o número de certidões passadas pelo nosso primeiro historiador, no seu ofício de «Guardador das escrepturas do tombo e chaves dela». (daqui)

Dia diferente




Uma vez mais o 11ºC (Literatura) e o 3º A juntaram vontades e rumaram até à livraria mais próxima. Florinda Capitão, gerente da loja da Bertrand das Antas, fez as honras da casa e a ilustradora Abigail Ascenso conversou connosco sobre a importância da ilustração e até nos ensinou alguns truques.

Este foi o último encontro do 11ºC e do 3ºA neste ano lectivo. Agora, vamos entrar em fase de exames. Esperemos que nos próximo ano os laços entre estes dois grupos se estreitem ainda mais.

Os "diseurs" do 3ºA da Eb1 da Corujeira

Os alunos do 3ºA vierem à sede do Agrupamento preparar com ajuda da prof. Henriqueta uma surpresa para o dia da mãe. Num intervalo deste trabalho, disseram alguns poemas dos quais damos notícia neste vídeo. Parabéns, prof. Elisa pelo bom trabalho que tem desenvolvido com estes meninos.