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Revisões da Matéria dada #5 [Literatura Portuguesa]

Comente a seguinte afirmação de Alexandre Herculano:
"Fernão Lopes adivinhou os princípios da moderna história: a vida dos tempos de que escreveu transmitiu-a à posteridade, e não, como outros fizeram, somente um esqueleto de sucessos políticos e de nomes célebres. Nas crónicas de Fernão Lopes não há só história: há poesia e drama; há a Idade Média com sua fé, seu entusiasmo ou amor de glória."


Com efeito, é a Fernão Lopes que se deve a história moderna, pois, como cronista-mor do reino, ele teve o cuidado de, em crónica, deixar registado os factos mais relevantes.
         A verdade, como nota Alexandre Herculano, é que Fernão Lopes foi o primeiro a mostrar preocupação com a verdade dos factos, livre da “mundanal afeição”. De facto, como   refere no Prólogo à Crónica de D. João I,  há um cuidado em dizer a verdade, mesmo que isso implique  não fazer o elogio dos seus. Para tal baseia-se em documentos históricos e em leituras várias, não se deixando, ou melhor, tentando não se deixar contaminar pelos afectos e pelo “sangue”. O povo, em Fernão Lopes, ganha uma expressão redobrada: é a “arraia miúda” quem escolhe o seu líder (vide Mestre de Avis em Crónica de D. João I). A história é feita por todos e não apenas pela nobreza.
O que foi anteriormente referido, não invalida que o cronista não tenha embelezado a língua portuguesa. O cronista serviu-se da língua para exprimir sensações, para nos transportar para a época dos factos. Assim, concordamos com Herculano, pois ler Fernão Lopes é viajar no tempo, é fazer parte da “arraia miúda”.

UM LUGAR PARA OS CLÁSSICOS | O rei que o povo escolheu

É já amanhã que vamos à EB1 da Corujeira apresentar uma leitura dramatizada do
do Capítulo XI da Crónica de Fernão Lopes: “Do alvoroço que foi na cidade cuidando que matavom o Meestre, e como aló foi Alvaro Paaes e muitas gentes com ele”.

Amanhã,  daremos a conhecer ao 4.ºA Fernão Lopes e o Mestre de Avis, o rei que o povo escolheu.







Torre do Tombo


A Torre do Tombo é de uma das instituições mais antigas de Portugal.
Desde a sua instalação numa das torres do castelo de Lisboa, ocorrida provavelmente no reinado de D Fernando e seguramente desde 1378, data da primeira certidão conhecida, até 1755, prestou serviço como Arquivo do rei, dos seus vassalos, da administração do reino e das possessões ultramarinas, guardando também os documentos resultantes das relações com os outros reinos.
Além de servir a administração régia, com funções semelhantes às de um arquivo intermédio dos nossos dias, o serviço mais importante prestado pela Torre, foi o das certidões, solicitado pelos particulares e pelas instituições. Mediante autorização régia, facultou a consulta e mesmo o empréstimo de documentos, a alguns estudiosos, cujas obras foram depois impressas.
No século XVII, começou a ser organizado o Arquivo do Arquivo, surgindo os primeiros livros do seu registo, fizeram-se alguns índices.
No século XVIII, o crescente número de certidões solicitado à Torre do Tombo, onde avultam as pedidas pela Academia de História, fez aumentar o número dos seus oficiais. Neste século, no âmbito da descrição dos documentos, realizaram-se numerosos índices, indo ao encontro da necessidade de se conhecerem os documentos e de se criarem os instrumentos de pesquisa necessários à sua recuperação: este trabalho iniciou-se e decorreu, em boa parte, no edifício da torre do castelo: assim foram elaborados a maioria dos índices das Chancelarias régias (1715-1749), das Leis e Ordenações (1731), das Bulas (1732), dos moradores da Casa Real (entre 1713 e 1742), o inventário das Bulas, Breves e trasuntos pontifícios (1751-1753).
No dia 1 de Novembro de 1755, a torre ruiu durante o terramoto. A documentação foi recolhida dos escombros, e guardada, temporariamente, numa barraca de madeira, construída na Praça de Armas, após autorização do Marquês de Pombal, datada de 6 de Novembro.
Em 26 e 27 de Agosto de 1757, foi transferida para uma parte do edifício do mosteiro de São Bento da Saúde, da lado da Calçada da Estrela, ocupando as instalações designadas por Casa dos Bispos e compartimentos contíguos, que foram arrendados ao mosteiro. (continua)

Casamento de D. João I e D. Filipa de Lencastre | Fernão Lopes


Casamento de D. João I e D. Filipa de Lencastre – Crónica de D. João I (Fernão Lopes)


[...] E El Rei saiu daqueles paços em cima de um cavalo branco, em panos de ouro realmente vestido; e a rainha em outro tal, mui nobremente guarnida. Levavam nas cabeças coroas de ouro ricamente obradas de pedras de aljofar e de grande preço, não indo arredados um do outro, mas ambos a igual. Os moços de cavalos levavam as mais honradas pessoas que eram e todos de pé muito corregidos. E o arcebispo levava a Rainha da rédea. Diante iam pipas e trombetas e outros instrumentos que se não podiam ouvir. Donas filhas dalgo isso mesmo da cidade cantavam indo de trás, como é costuma de bodas. A gente era tanta que se não podiam reger nem ordenar pelo espaço que era pequeno dos paços à igreja e assim chegaram à porta da Sé, que era dali muito perto, onde dom Rodrigo, bispo da cidade, já estava festivalmente em pontifical revestido, Esperando com a cleresia. O qual os tomou pelas mãos, e demoveu a dizer aquelas palavras que a Santa Igreja manda que se digam em tal sacramento. Então disse a missa e pregação; e acabou seu ofício, tornaram El Rei e a Rainha aos paços donde partiram com semelhante festa, onde haviam de comer. As mesas estavam já guarnidas e todo o que lhe cumprira; não somente onde os noivos haviam de estar, mas aquelas onde era ordenado de comerem bispos e outras honradas pessoas de fidalgos e burgueses do lugar e donas e donzelas do paço e da cidade. E o mestre-sala da boda era Nuno Álvares Pereira, Condestável de Portugal; servidores de toalha e copa e doutros ofícios eram grandes fidalgos e cavaleiros, onde houve assaz de iguarias de desvairadas maneiras de manjares. Enquanto o espaço de comer durou, faziam jogos à vista de todos, homens que o bem sabiam fazer, assim como trepar em cordas e tornos de mesas e salto real e outras coisas de sabor; as quais acabadas, alçaram-se todos e começaram a dançar, e as donas em seu bando cantando a redor com grande prazer. [...] (ler tudo aqui)

Fernão Lopes | apresentação

FERNÃO LOPES

Começamos hoje a preparar o textos que dará a conhecer Fernão Lopes ao 4.º A da EB1 da Corujeira. Preparem-se para saber quem foi este cronista e para saberem um pouco sobre o Mestre de Avis.


Na imagem: 
Assinatura de Fernão Lopes (Fernandus Lopi)
Consta de uma certidão de 14 de Dezembro de 1436, extraída a pedido do concelho e julgado de Riba de Lima, do Livro das Inquirições Régias, na parte aplicável à região, vistoriada em 26 de Abril de 1228.  Esta preciosidade diplomática foi publicada em 1934, por Rocha Madahil. Elevam-se, assim, a vinte o número de certidões passadas pelo nosso primeiro historiador, no seu ofício de «Guardador das escrepturas do tombo e chaves dela». (daqui)

FERNÃO LOPES | apoio

FERNÃO LOPES

A grandeza de Fernão Lopes como historiador consiste, principalmente, na visão multifacetada que abrange os aspectos colectivos da vida nacional e que lhe permitiu transmitir-nos o fresco global de uma época, em vez de simples narrativas de aventuras individuais vistas segundo a ideologia cavaleiresca, como as que nos apresentam outros cronistas medievos. Graças a esta superioridade de visão, possuímos hoje um precioso relato de conjunto da grande crise social que marcou em Portugal a passagem da Idade Média para os tempos modernos.

O único cavaleiro que sai engrandecido e certamente idealizado das páginas de Fernão Lopes - Nuno Álvares Pereira - é gabado pelo seu patriotismo, pela sua sabedoria, pelo seu respeito perante casas e propriedades dos vilãos, pela sua castidade - por qualidades em que ele contrasta com os cavaleiros do seu tempo, e fazem dele, aos olhos do cronista, o modelo do cavaleiro cristão, ao serviço de Deus e do povo.

A característica fundamental da arte de Fernão Lopes é o seu poderoso visualismo: todos os seus recursos de escritor, amigo da veracidade e da clareza, tendem a mostrar-nos a coisa certa e como se passou. O melhor do seu estilo, sempre apropriado à narrativa, é empregado nisso. Através do diálogo em actos, presenciamos as figuras, determinamos os seus rasgos distintivos, o seu típico físico e moral.

É porém na descrição das multidões que Fernão Lopes atinge alturas a que nenhum escritor português chegou até agora. O quadro das arruaças de Lisboa, por ocasião da morte do Andeiro; o comportamento da multidão cheia de amor pelo Mestre e manobrada pelo velho e prestigioso Álvaro Pais; o místico e ardente desejo que a invade de ter um rei, escolhido pelo seu próprio afecto; as heroicidades e atribulações do cerco de Lisboa, tudo isto é duma intuição prodigiosa e descrito com um poder de simpatia e num colorido inigualável.

Conceito de História para Fernão Lopes

- relato objectivo da verdade na sua natural simplicidade;
- livre de qualquer parcialidade gerada por um excessivo amor pátrio (não inventando façanhas nem ocultando desastres);
- com a certeza obtida através da séria investigação (pondo de parte tudo o que não pode ser provado através de documentos).