Arena | João Salaviza vence em Cannes
A curta-metragem "Arena" de João Salaviza, a única película portuguesa no Festival de Cannes, venceu hoje a Palma de Ouro. O realizador João Salaviza apresentou sábado a curta-metragem "Arena", o seu primeiro filme profissional. "Arena" conta a história de Mauro, um rapaz que está a cumprir uma pena em prisão domiciliária e que enfrenta o dilema de transgredir a lei para acertar contas com um grupo de miúdos marginais. (daqui)
Maria Gabriella LLansol

Lovaina, 13 de Fevereiro de 1975.
o pano de renda sobre a mesa, em casa de Cristina. Rosas, renda que liga as rosas. Talvez tenha sido isto, fazer renda, que eu primeiro tenha desejado. No seu lugar, começarei a escrever. Pressinto que, de novo, haverá um momento em que preferirei ter traçado esta textura, a ter-me envolvido com a escrita.
Por que não o fiz?Por que me envolvi precisamente nesta escrita?
Quando deixei de escrever histórias para alinhavar as passagens do Ser subtil das nossas vidas? Quando me devo ter apercebido que só na proximidade desse lugar, seguindo as bermas dessa passagem, a vida poderia alcançar as fontes da Alegria? Em que momento eu soube que só criando reais-não-existentes, como Augusto lhes chama, abriríamos acesso a essas fontes?
Fico perplexa ao ver que, fora do texto, esses reais são evanescentes. E que se perdermos, ficaremos reduzidos ao caos, sem cartografia.
Como o mundo aparece em estados de linguagem...
Como estes foram surgindo em formas fazendo-se...
Como se pode voltar lá, fazendo o desfazendo...
Devo concluir que nasci, à imagem de todas as mulheres, para fazer renda? A outra, a de Ariane? A dos fios de ouro que Ana de Peñalosa tece, escrevendo, para que não se perca o sentido perdido da batalha? e a longa ausência de seus filhos não seja exílio mas "partiram à descoberta?"
Conversava com Cristina que me dizia, mas eu só isto ouvi
o ciclo do Renascimento não está concluído;
ainda há tempo, para voltar ao seu começo, e reescrever-lhe um novo sentido.
Havia nela uma tal certeza, que me encontrei mais à vontade,
desviando o meu olhar do
dela
para a mesa
coberta
de renda.
LLansol, Maria Gabriella , Finita, Diário 2, ed. Rolim, 1987.
Missão Possível (balanço)

Balanço da resposta ao Plano de Trabalho proposto no início do 3º Período lectivo. (Plano de Trabalho)quatro poemas de Luís Miguel Nava

Poder-me-ão entender todos aqueles
de quem o coração for a roldana
do poço que lhes desce na memória.
Se alguma coisa vi foi com o sangue.
De alguém a quem o sangue serviu de olhos poderá
falar quem o fizer de mim.
***********
As ondas que se encontram
ainda agora em formação no espírito
dele já não vêm rebentar ao meu.
Por mim não volto a vê-lo, encontros houve
com ele dos quais a alma ficou cheia de dedadas.
Já nem sequer dele quero ouvir falar,
saber que se ele
fosse uma cama estaria por fazer nada me traz
agora além de desconforto.
***********
Aqui, onde a mão nãoalcança o interruptor da vida, aqui
só brilha a solidão.
Desfazem-se as lembranças contra os vidros.
Aqui, onde a brancura
dum lenço é a brancura do infortúnio,
aqui a solidão
não brilha, apenas
se estorce.
A fome fala através das feridas.
***********
A pedra cai no ventreda água- a fruta poderosa, as páginas
onde a brancura se estilhaça, o lenço
como um relâmpago.
Luís Miguel Nava
Nao sei que horas são no teu relógio. | J. M. Silva

Nao sei que horas são no teu relógio.
No meu é cedo/tarde - está parado
há bem mais de vinte anos.
Não importa, pois as coisas vão e vêm,
e de novo se levanta o mês de Março
nesta era da ironia, com seus truques
estafados e promessas desfolhantes.
Juntamente, tudo passa e tudo volta,
mas diverso - só por isso, justamente,
tem piada estar aqui, abrir os olhos,
conferir ainda e sempre, na vitrina
da manhã, a produção da Primavera.
José Miguel Silva
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Aparição
No YouTube, já está disponível,na íntegra, o programa Grandes Livros dedicado a Aparição.
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esta esquisita prova me tentou | A.F. Alexandre
esta esquisita prova me tentou
de tecer um rumor em muros de água
ossos de terra calcinada
o jugo
culpado me castigo com engenho
e da voz desenhada o artifício
restos de pele antiga
no laço da armadilha
em silêncio me muro e me demoro
no cálculo de rotas inexactas
um duro arbítrio quer que me desprenda
dos cinco ou mais sentidos
vou ser livre na terra desnudada
vou dizer o que sei como quem mente.
António Franco Alexandre, A Pequena Face
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António Franco Alexandre
Schumann, uma fantasia | João Miguel Fernandes Jorge
Schumann, uma fantasia
Amo aquele que pede o impossível
quando sente a casa desmoronar tijolo
a tijolo
com a leveza de uma pena liberta pleno
voo
de um azul e oiro, o ritmo —
esse tijolo de barro vermelho
de um modo apaixonante pede
a vida
e a vida, num último instante, dá-lhe jardins,
deuses e a energia de uma
cidade suspensa
a luz de um palacio submerso
no último instante,
muito lento,
silvam as chamas do desamparo, caducidade
duração.
João Miguel Fernandes Jorge
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Schumann
Horizonte vazio | Sophia M. B. Andresen
Horizonte vazio
Horizonte vazio em que nada resta
Dessa fabulosa festa
Que um dia te iluminou.
As tuas linhas outrora foram fundas e vastas,
Mas hoje estão vazias e gastas
E foi o meu desejo que as gastou.
Era do pinhal verde que descia
A noite bailando em silenciosos passos,
E naquele pedaço de mar ao longe ardia
O chanmamento infinito dos espaços.
Nos areais cantava a claridade,
E cada pinheiro continha
No irreprimível subir da sua linha
A explicação de toda a heroicidade.
Horizonte vazio, esqueleto do meu sonho,
Árvore morta sem fruto,
Em teu redor deponho
A solidão, o caos e o luto.
Sophia M. B. Andresen
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Pequena elegia chamada domingo | Eugénio de Andrade
Pequena elegia chamada domingo
O domingo era uma coisa pequena.
Uma coisa tão pequena
que cabia inteirinha nos teus olhos.
Nas tuas mãos
estavam os montes e os rios
e as nuvens.
Mas as rosas,
as rosas estavam na tua boca.
Hoje os montes e os rios
e as nuvens
não vêm nas tuas mãos.
(Se ao menos elas viessem
sem montes e sem nuvens
e sem rios...)
O domingo está apenas nos meus olhos
e é grande.
Os montes estão distantes e ocultam
os rios e as nuvens
e as rosas.
Eugénio de Andrade
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E se...? | Instantes decisivos
Na aula passada, falámos de acasos, coincidências, epifanias, efeito borboleta e instantes decisivos. De acordo com o combinado, fica aqui o início de Instantes Decisivos (Sliding Doors) de Peter Howitt, com Gwyneth Paltrow.
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Instantes decisivos
Para Sempre | Vergílio Ferreira

Porque pensar? recordar? convocar o passado que nada aqui tem que fazer? A tua vida são os limites em que tens de te mover, cada momento irredutível em que tens de existir.
Ferreira, Vergílio, Para Sempre , Bertrand ed.13ª ed, 2001, pg. 199
*
É bom recordar. Recuperar a vida desde onde ela morreu. Prolongar ao futuro que não há o passado que já houve. Ferreira, Vergílio, Para Sempre , Bertrand ed.13ª ed, 2001, pg. 199
*
Porque todas as palavras eram grosseiras e vãs. Depois de se dizerem não ficava mais nada para se dizer. E há coisas que nunca se podem dizer de todo. Ferreira, Vergílio, Para Sempre , Bertrand ed.13ª ed, 2001, pg. 204
Aparição (Documentário) | Rui Filipe
"Terminou há minutos o programa da Rtp2 Grandes Livros a falar do livro "Aparição" de Vergílio Ferreira. O programa explicava o livro numa vertente mais ligada ao mundo e ao escritor e não tanto a questão literária. No entanto, não deixei de aprender umas coisas, sei agora que entre outros prémios Vergílio António Ferreira( também descobri o nome completo dele) recebeu os prémios Camões e Camilo Castelo Branco. Uma pequena curiosidade é o facto da palavra "aparição" ter sido narrada apenas uma vez. Mas idiossincrasias à parte, desconhecia que o livro já tinha tido tantas edições na antiga União Soviética." Rui Filipe
[Comentário do Rui após visionamento do programa Grandes Livros]
Amor de Perdição (Grandes Livros)
A versão integral do documentário sobre a obra Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, produzido para a série “Grandes Livros”, inserida, neste momento, na programação da RTP2, está disponível no YouTube.
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