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Concerto de Clara Ghimel sobre poemas de Ana Luísa Amaral



Foi ontem, dia 8, na Reitoria da Universidade do Porto.
A Bruna, a Gabriella e a Patrícia estiveram lá.

Genealogia, de Manuel de Freitas

"Não sei se a cultura ajuda. Preferia
a qualquer obra de Bach
que a música ambulante do amolador
pudesse de novo passar na infância,
na infância breve de estarmos ambos vivos,
sentados na varanda. À espera de dias
iguais, sob a alta sombra dos pinheiros.

Era isso."

Manuel de FREITAS, (2003), Beau Séjour. Lisboa: Assírio & Alvim.


Um excerto de Genealogia, um poema à «musa distraída» de M. Freitas, escolhido pela Bruna.

Sexta-feira à noite, de Emmanuele Bernheim



"Sexta-feira, princípio de uma noite de Inverno. Laura sente-se feliz pois está prestes a deixar o seu apartamento e a sua vida solitária para ir viver com o namorado. Não estava à espera, no entanto, de uma descomunal greve dos transportes e vê-se de repente presa num enorme engarrafamento.
Como vive momentaneamente entre dois domicílios, entre duas “vidas, Laura atravessa um momento de liberdade total, em que de certa maneira tudo lhe é permitido. E assim como se abandona ao lento fluxo do trânsito, do mesmo modo aceita, impensadamente, dar boleia a um homem estranho que lhe surge no caminho. Só que depois dessa noite já nunca mais será a mesma..."

Li este livro nas férias da Páscoa, foi uma leitura que me agradou bastante, apesar de o fim me ter desapontado um pouco.

Autor: Emmanuele Bernheim
Título: Sexta-feira à noite
Editor: Asa

Os mundos separados que partilhamos, de Paulo kellerman


A primeira vez que ouvi falar Os mundos separados que partilhamos, de Paulo kellerman, foi numa aula de Literatura em que a professora levou muitos livros para nós escolhermos um para ler. Eu ouvi um excerto de um conto e quis logo trazer o livro para casa. Tinha ficado cativada, mas sozinha em casa não consegui encontrar a magia das palavras. Talvez porque, nas aulas, a professora lê com expressividade e depois ajuda-nos a pensar. Quando li, achei confuso. Aliás, li duas vezes e duas vezes achei confuso e difícil. Percebi que se fala de uma relação, de solidões, de cumplicidades e obsessões. Existem alguns momentos em que os silêncios falam pelas persinagens. Gostei muito do conto AREIA, porque tem duas versões e eu criei um terceira. Deu-me muito gozo essa minha identificação com a personagem. Senti-me mesmo ela.

Bruna

Areia - Lado C por Bruna Freitas


«Em “Areia” – inspirado na contemplação do óleo sobre tela de 1891, Melancolia, de Edvard Munch – a mesma história é-nos contada sob duas perspectivas – o “Lado A” e o “Lado B”, tal como no conto “Investir em ti” –, dois homens que, sem se conhecerem, repartem o mesmo amor pela mesma mulher, e cujo amor carnal e efectivo de um, e o amor destroçado e ressentido de outro, acabam por reflectir, em lados aparentemente opostos, a mesma dúvida existencial: «Aconchego-me na areia, sentindo-me parte dela, apenas mais um grão; e espero» (aqui). Agora o "lado C":



Ao caminhar contigo de mão dada, naquela praia, relembrava alguns momentos que ali tinha passado com outro alguém, numa outra altura. Sentia algo por ti, não sei bem o quê, estava tensa, nervosa. Fiquei mais ao ver ao longe um vulto. Fiquei com receio de continuar. Era ele. Pesei em fingir que não o conhecia, mas seria rude. Então optei por ter uma atitude simpática. Pensei: já estive aqui com ele. Depois pensei que antes de ter estado ali com ele, já tinham existido outros eles. Ele foi alguém que amei ali, que me amou, mas que deixei para trás. Beijaste-me. Correspondi, mas sem sentir nada. Foste atingido. Olhei e era aquela figura do meu passado que deiei e magoei. Foste novamente atingido. Depois, pousou o pau, virou costa e partiu. Ainda me olhaste, sem entender o cedido. Pedi-te desculpa e desapareci. Sou prisioneira de outro amor. Perdão.
Bruna Freitas