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Que livro salvarias?



Se eu tivesse que salvar um livro, salvaria A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breynner Andresen, pois foi o primeiro livro que, ainda criança, li. A meu ver, Sophia é das melhores poetas - como ela gostava de ser tratada - que Portugal já teve. A história é cativante e cativou-me pela simplicidade e pelo mundo fantástico que nos apresenta. Sophia e este livro fizeram-me sonhar com mundos fantásticos.

Tiago Santos
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Quando Atravessares o Rio, de Ana Teresa Pereira


"A poder falar-se d um efeito “eternidade”, tão preciso e intenso como a luz que de um ícone escuramente emana, teríamos de o detectar na obra de Ana Teresa Pereira. À margem, claro, de fáceis misticismos ou de reconhecíveis engrenagens religiosas, pois não é disso que se trata, mas antes de um cada vez mais asfixiante e depurado continuum. A autora, acrescente-se, sabe-o bem melhor do que nós: “As suas personagens eram sempre as mesmas: uma mulher um pouco parecida com ela e um homem mais velho chamado Tom” (pág. 48). Desta vez, Tom quase chega a ter um rosto, talvez o de Jeremy Irons, assumido agora como o “actor nos seus livros”. Mas pouco importa, afinal, a substância de que são feitos Tom ou Katie Dylan, cujos duplos teimam em assombrar estas páginas inquietantes. Abate-se sobre Quando atravessares o rio uma espécie de beleza terminal, inexorável. Este poderia muito bem ser o último – ou o primeiro – livro de Ana Teresa Pereira, ao confrontar-nos com questões tão irresolúveis quanto raramente formuladas:

“O que acontece às personagens quando o autor vai embora?

“Os livros de um escritor estão contados. E depois ele fica sozinho com os seus demónios. Ela mesma escrevera essas palavras, alguns anos atrás” (pág. 20).

Dir-se-ia que a “autobiografia” irrompe, neste livro, ainda menos veladamente do que em obras anteriores: “[Katie] queria ser uma grande escritora, não queria fazer mais nada na vida” (pág. 25). Já sabemos que isso – em Portugal – é o menos realizável dos projectos, a não ser que se tenha agentes literários e uma evidente pobreza de espírito, dócil e exportável. No entanto, é esse o quase impossível desígnio de Katie: “esculpir no gelo”, afastar-se solitariamente do esplendor frívolo do cimento dominante. A suspeita de uma crise ou de um impasse revela-se, porém, indissociável de uma extrema e desapiedade lucidez: “Deitar-se na neve para morrer. Como ele. // Mas a neve era muito pouca” (pág. 24). Uma escrita deste calibre, com tudo o que tem de obsessivo e de inalienável, obriga-nos a ficar “algures do outro lado das palavras” (pág. 55). Como se, de falésia em falésia, só o susto e a derrota – no que estes possam ter de júbilo ou celebração – fizessem ainda algum sentido, à sombra de um nome indomavelmente próprio: “Fingir dá muito trabalho. Eu prefiro ser". (pág. 67)." por Manuel de Freitas




O Tiago e a Juliana já leram e gostaram.

Ultimato, crítica de cinema, por Tiago



O Ultimato, em inglês The Bourne Ultimatum, é uma triologia cinematográfica onde se ficciona a história de um assassino profissional, Jason Bourne (interpretado por Matt Damon) que perde a memória e que ao longo das três longas-metragens tenta reconstituir o seu passado. Jason Bourne perdeu a memória numa missão ao serviço de um programa secreto do governo dos EUA, por isso é perseguido pela C.I.A. para que não revele informação confidencial.
Trata-se de um conjunto excelente de filmes de acção, sendo que, a meu ver, o último filme da saga é aquele que se me afigura como o mais entusiasmante, uma vez que é aqui que tomamos conhecimento de muitos pormenores que dão sentido aos filmes anteriores. O pior do filme é mesmo ser o último da triologia.
Tiago Santos

Alguns apontamentos sobre o Bairro, por Tiago



O Bairro é um conjunto de livros onde comparecem uma série de senhores com estórias anormais, no sentido em que escapam à lógica habitual. O Senhor Valéry, o Senhor Calvino, o Senhor Krauss e o Senhor Juarroz têm em comum o facto de serem todos vizinhos do mesmo bairro, apesar de nos livros existir registo de que falem uns com os outros.

Todos os habitantes do bairro têm nomes de escritores famosos: Valéry (Paul Valéry), Calvino (Italo Calvino), Kraus (Karl Krauss) e Juarroz ( Roberto Juarroz).

O Senhor Valéry e o Senhor Calvino têm em comum a baixa estatura, o que os leva a andar muitas vezes aos "saltos" para conseguirem ser do mesmo tamanho das outras pessoas, só que por menos tempo.De todos os livros, considero que o Senhor Valéry e o Senhor Juarroz são os mais cativantes. O Senhor Krauss foi, de entre todos os livros, aquele que considerei menos interessante.


Sobre o autor:


Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Foi Bolseiro do Ministério da Cultura — IPLB com uma bolsa de Criação Literária para o ano 2000, na área de poesia. Em Dezembro de 2001 publicou a sua primeira obra: Livro da dança, na Assírio e Alvim.

Recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso com a obra O Senhor Valéry (publicado na Editorial Caminho em 2002) e o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com Investigações. Novalis (Difel).

Publicou O homem ou é tonto ou é mulher e A colher de Samuel Beckett e outros textos, ambos na Campo das Letras e adaptados para teatro. Está representado em antologias de poesia publicadas na Holanda («Hotel Parnassus, Poetry International 2002») e na Bélgica («Het laatste anker» — «O último refúgio — 300 poemas de todo o mundo sobre a morte», Lannoo/Atlas), e editado em revistas inglesas e americanas. Traduzido para italiano com um conto inserido na antologia «Racconti senza dogana» — «Jovens escritores para a nova Europa» (Gremese Editore). No grupo OuLIPO (França) foi realizada, em 2003, uma leitura de algumas histórias de O Senhor Valéry (com tradução e leitura de Jacques Roubaud). Ainda em 2003 publicou O Senhor Henri (Caminho). O Senhor Valéry foi traduzido para francês, com um prefácio de Jacques Roubaud, e editado em Setembro de 2003 na «Joie de Lire». O ano de 2004 assitiu ao crescimento do «Bairro» com o lançamento de O Senhor Brecht e O Senhor Juarroz. Publicou os romances: Um homem: Klaus Klump, em 2003 e A máquina de Joseph Walser (2004) na Caminho.Em 2005 publica, também na Editorial Caminho, a obra vencedora de dois prémios, Jerusalém.Vencedor, em 2004, do Prémio LER/Millenium BCP.Vencedor, em 2005, do Prémio Literário José Saramago.


Tiago Joel Rocha Santos