FERNÃO LOPES | apoio

FERNÃO LOPES

A grandeza de Fernão Lopes como historiador consiste, principalmente, na visão multifacetada que abrange os aspectos colectivos da vida nacional e que lhe permitiu transmitir-nos o fresco global de uma época, em vez de simples narrativas de aventuras individuais vistas segundo a ideologia cavaleiresca, como as que nos apresentam outros cronistas medievos. Graças a esta superioridade de visão, possuímos hoje um precioso relato de conjunto da grande crise social que marcou em Portugal a passagem da Idade Média para os tempos modernos.

O único cavaleiro que sai engrandecido e certamente idealizado das páginas de Fernão Lopes - Nuno Álvares Pereira - é gabado pelo seu patriotismo, pela sua sabedoria, pelo seu respeito perante casas e propriedades dos vilãos, pela sua castidade - por qualidades em que ele contrasta com os cavaleiros do seu tempo, e fazem dele, aos olhos do cronista, o modelo do cavaleiro cristão, ao serviço de Deus e do povo.

A característica fundamental da arte de Fernão Lopes é o seu poderoso visualismo: todos os seus recursos de escritor, amigo da veracidade e da clareza, tendem a mostrar-nos a coisa certa e como se passou. O melhor do seu estilo, sempre apropriado à narrativa, é empregado nisso. Através do diálogo em actos, presenciamos as figuras, determinamos os seus rasgos distintivos, o seu típico físico e moral.

É porém na descrição das multidões que Fernão Lopes atinge alturas a que nenhum escritor português chegou até agora. O quadro das arruaças de Lisboa, por ocasião da morte do Andeiro; o comportamento da multidão cheia de amor pelo Mestre e manobrada pelo velho e prestigioso Álvaro Pais; o místico e ardente desejo que a invade de ter um rei, escolhido pelo seu próprio afecto; as heroicidades e atribulações do cerco de Lisboa, tudo isto é duma intuição prodigiosa e descrito com um poder de simpatia e num colorido inigualável.

Conceito de História para Fernão Lopes

- relato objectivo da verdade na sua natural simplicidade;
- livre de qualquer parcialidade gerada por um excessivo amor pátrio (não inventando façanhas nem ocultando desastres);
- com a certeza obtida através da séria investigação (pondo de parte tudo o que não pode ser provado através de documentos).

Antes que seja tarde...

Amanhã, sala de E.E., Módulo B.
Estarei por lá a partir das 9.00.


PLANO DO TEXTO ARGUMENTATIVO

o que advém do texto é a construção da frase | Llansol


o que advém do texto é a construção da frase;

o que advém do espaço é o seu sentido;
o que advém da manhã é o sentimento de perca;
o que advém da noite é o recomeço da frase interrompida;
assim cogitando caminhava


e abri a porta que dava para o teu rosto legente.

Não disse nada, a ouvir nos teus olhos
o som da rua que entrava pelas janelas.

Sentei-me nos lugares dispersos do teu silêncio, e esperarei
por ele
_ uniu-se a mim como o oxigénio e o hidrogénio
se unem em forma de água,
numa união tão rara, imponderável e banal
como os nossos corpos unidos a ler __

voltaremos à imagem da água.

(Maria Gabriella Llansol, Onde vais drama-poesia?)

Fora cá dentro | José Mário Branco


Um vídeo dedicado ao 3.ºA.

Fora cá dentro | José Mário Branco

Se não fosse eu viver fora
Da cidade onde nasci
Inda estava cá agora
E ficava sempre aqui

Mesmo se já cá não estou
É como se cá estivesse
O Porto que em mim ficou
Nunca se perde nem esquece

O cinzento do granito
E o azul do azulejo
Funcionam como um grito
Que se desse como um beijo

Entre o vago e o profundo
Entre a dor e a malandrice
O Porto é sinal de um mundo
Que eu gostava que existisse

P'ra resumir eu diria
Que o Porto é aquele espaço
Onde dizemos bom dia
Como quem dá um abraço

José Mário Branco


Com Quatro Pedras na Mão
Poemas sobre o Porto de Filipa Leal, Joaquim Castro Caldas, João Pedro Mésseder, Jorge Sousa Braga, José Mário Branco, Luísa Ducla Soares, Luís Nogueira, Matilde Rosa Araújo, Rui Pereira, musicados por Suzana Ralha, interpretados pelo Bando dos Gambozinos e ilustrados por Emílio Remelhe
.

A MULHER em Camões


A MULHER

Em Camões encontramos dois tipos de mulher, que correspondem a dois tipos de entendimento do amor (carnal e espiritual). 1º) a que é intocável, misteriosa, sempre ausente mesmo quando presente __ a ausência é a sua presença ou a presença é a sua ausência, ela está sempre para além do "véu terrestre"-, perante a qual o poeta se coloca de joelhos em atitude de vassalagem e de adoração. É a Laura de Petrarca. " Ela é a beleza, com os seus cabelos que fazem perder o preço ao ouro, o seu gesto sereno, a sua alegria grave, a sua harmonia pura e exacta, que dá sentido à Natureza, como as ninfas de Boticelli no meio das flores, mas sem o corpo visível. É inacessível e intocável. O seu sorriso é impessoal como o de Gioconda ( ... ) Viva não é deste mundo. Petrarca chora inconsolavelmente a sua ausência, sempre no mesmo tom elegíaco. ( ... ). A morte dela não é um desastre, antes uma nova forma de ausência - ausência a que se reduziu sempre a presença de Laura." E, sendo uma imagem que está escrita na alma, é principalmente na ausência que ela se torna evidente à contemplação interior. ( ... ) Por estar longe da amada o Poeta vê mais intensamente dentro da alma, a essência da sua beleza, de que os cabelos, os olhos, as faces, são apenas, como diria Petrarca, o "véu terrestre". Sem embargo de o Poeta dizer que o objecto da sua visão é superior a tudo o que cantaram Dante e Petrarca, é na realidade a imagem de Beatriz e Laura a que ele vê na sua contemplação : é a ideia, o objecto, que os poetas vêm apurando desde os trovadores provençais. António José Saraiva
2º) Outro tipo de mulher é a terrena, modelada de formas ondulantes e atraentes, perante a qual o homem se sente irresistivelmente atraído, causando- lhe a alegria dos sentidos. É a Vénus que enche Os Lusíadas e cujas formas graciosas apaziguam tempestades e vinganças. Para concluir, referimos uma vez mais as palavras de A. José Saraiva, : " Há pois, uma oposição profunda entre as duas ideias da lírica : Laura e Vénus. Uma é centrífuga em relação à terra, outra é centrípeta, uma é a negação do sensível, outra é a sua afirmação; uma cabe dentro dos moldes da hierarquia feudal, outra quebra- os; uma é transcendentalista, outra é imanentista. A poesia de Camões acha- se partida pelo meio".


Petrarquismo

O Petrarquismo consiste na livre expansão da alma enamorada de uma mulher ideal, uma mulher dotada de todas as perfeições e com graças terrenas que se ama com um amor que aspira a libertar- se da mancha da sensualidade como meio de ascender à contemplação divina, mas que a cada passo deseja possuir- se. É o amor platónico, ideal e espiritual.
Essa mulher ideal apresentava um determinado tipo de beleza : cabelos de oiro, olhar brando e sereno, riso terno e subtil, gesto manso, olhos verdes ou azuis, tez branca e rosada e lábios vermelhos.





Soneto
Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.





O conceito do amor é platónico. A plenitude é a contemplação da beleza e o veículo para atingir esse nirvana é precisamente o amor, que necessita de um exercício de perfeição. Isso implica uma certa mortificação do corpo. Concebe-se o ser humano como alma e corpo. É a ideia tradicional de que o corpo é da matéria dos sentidos, para nos elevarmos é necessário que consigamos domesticar o corpo. Platão concebe o amor como uma libertação do fisíco. Temos que nos libertar das contingências do corpo que nos podem impedir de ser espírito. Só ao aperfeiçoarmo-nos é que podemos então dominar o corpo, compreendê-lo e reintegrá-lo finalmente. O sujeito transforma-se no ideal. Se a alma está transformada na amada, o que é que o corpo pretende? Pode descansar pois só à alma está ligado. A ideia está no pensamento. Já não é só o amor espiritual. Já não o satisfaz a pura semideia mas busca a posse física. A contradição dele é sentida pelo leitor. Ele não consegue libertar-se inteiramente daquela carne esmagadora.



CAMÕES (revisões)


Camões é não só considerado o maior lírico português, mas também um dos maiores líricos de todos os tempos . Na sua lírica coexiste a tradição poética nacional e a novidade do estilo novo renascentista . Por outras palavras, Camões assume a nova poética clássica com moderação sem romper com a velha tradição lírica galaico- portuguesa. Na sua poesia coexistem, pois os velhos e os novos géneros, os velhos e os novos metros, as novas e as velhas convenções literárias. Como tal, destacam- se no seu lirismo duas correntes poéticas :

- a Tradicional (Medida Velha) já cultivada no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (cantigas, vilancetes, esparsas e trovas ), com versos de 5 ou 7 sílabas. São normalmente poemas de circunstância, por vezes convencionais e engenhosos;

- a Clássica (Medida Nova) de origem italiana introduzida por Sá de Miranda. Esta inovação trouxe o decassílabo e abriu as portas ao Soneto, à Canção à Ode, etc.

Características da corrente tradicional


- As formas poéticas tradicionais: cantigas, vilancetes, esparsas, endechas, trovas...

- Uso da medida velha: redondilha menor e maior.

- Temas tradicionais e populares; a menina que vai à fonte; o verde dos campos e dos olhos; o amor simples e natural; a saudade e o sofrimento; a dor e a mágoa; o ambiente cortesão com as suas “cousas de folgar” e as futilidades; a exaltação da beleza de uma mulher de condição servil, de olhos pretos e tez morena (a “Bárbara, escrava”); a infelicidade presente e a felicidade passada.


Características da corrente renascentista

- O estilo novo: soneto, canção, écloga, ode, entre outros.

- Medida nova: decassílabos.

- O amor surge, à maneira petrarquista, como fonte de contradições, entre a vida e a morte, a água e o fogo, a esperança e o desengano;

- A concepção da mulher, outro tema essencial da lírica camoniana, em íntima ligação com a temática amorosa e com o tratamento dado à Natureza (“locus amenus”), oscila igualmente entre o pólo platónico (ideal de beleza física, espelho da beleza interior), representado pelo modelo de Laura e o modelo

renascentista de Vénus.


CRITÉRIOS GERAIS DE CLASSIFICAÇÃO


CRITÉRIOS GERAIS DE CLASSIFICAÇÃO

1. Classificações em números inteiros As classificações a atribuir às respostas dos examinandos são obrigatoriamente expressas em números inteiros. 2. Itens de resposta aberta curta e itens de resposta extensa orientada
• O afastamento integral dos aspectos de conteúdo relativos a cada um dos itens implica que a resposta seja classificada com zero (0) pontos.
• Nos casos em que a classificação referente aos aspectos de conteúdo seja igual ou inferior a um terço do previsto para este critério, a cotação a atribuir aos aspectos de organização e correcção linguística será a que consta da tabela que se segue, aplicando-se, sobre qualquer um dos valores apresentados na coluna respectiva, os eventuais descontos relativos aos factores de desvalorização no domínio da correcção linguística.

Se, da aplicação dos factores de desvalorização, no domínio da correcção linguística, resultar uma classificação inferior a zero (0) pontos, é atribuída aos aspectos de organização e correcção linguística a classificação de zero (0) pontos.

• Sempre que o examinando não respeitar os limites relativos ao número de palavras indicados no item, o professor classificador deve descontar um (1) ponto por cada palavra, a mais ou a menos, até ao máximo de cinco (1 × 5) pontos, depois de aplicados todos os critérios definidos para o item.

• Nos casos em que, da aplicação deste factor de desvalorização, resultar uma classificação inferior a zero (0) pontos, é atribuída à resposta a esse item a classificação de zero (0) pontos.

Cotação - Classificação dos aspectos de conteúdo - Cotação a atribuir aos aspectos de organização e correcção linguística

30 pontos 1 a 6 pontos 4 pontos
25 pontos 1 a 5 pontos 3 pontos
20 pontos 1 a 4 pontos 3 pontos
15 pontos 1 a 3 pontos 3 pontos

• Sempre que, ao responder a um item, o examinando elaborar mais do que uma resposta, não assinalando inequivocamente a(s) que não deve(m) ser avaliada(s), o professor classificador deve proceder apenas à classificação da resposta apresentada em primeiro lugar.

3. Factores de desvalorização no domínio da correcção linguística

Itens de resposta aberta orientada

• Por cada erro de sintaxe ou de impropriedade lexical, são descontados dois (2) pontos.


• Por cada erro inequívoco de pontuação ou por cada erro de ortografia (incluindo erros de acentuação e erros de utilização de letra maiúscula), é descontado um (1) ponto. Por cada erro de ortografia repetido ao longo da prova (incluindo erros de acentuação e usos não convencionais de letra maiúscula), apenas é descontada uma ocorrência. Os descontos por erro de utilização de letra maiúscula são efectuados até ao máximo de 5 (cinco) pontos na totalidade da prova.

• Por cada erro de citação de texto (uso indevido ou não uso de aspas, ausência de indicador(es) de corte de texto, etc.) ou de título de uma obra (ausência de sublinhado ou não uso de aspas, etc.), é descontado um (1) ponto. Os descontos por erro de citação de texto ou de título de uma obra são efectuados até ao máximo de cinco (5) pontos na totalidade da prova.

• Os descontos por aplicação dos factores de desvalorização, no domínio da correcção linguística, são efectuados até aos limites das pontuações indicadas para esse critério.

4. Explicitação de cenários de resposta

Os cenários de resposta que se apresentam consideram-se orientações gerais, tendo em vista uma
aferição de critérios. Deve, por isso, ser classificada, em igualdade de circunstâncias com respostas compreendidas nos cenários fornecidos, qualquer interpretação que, não coincidindo com as linhas de leitura apresentadas, seja julgada válida pelo professor classificador.


Em estágio para o Exame...

Amanhã, a partir das 8.30, no módulo B (ateliê)


Quadro sinptico da Literatura acetato Quadro sinptico da Literatura acetato Helena

O Andaime | Fernando Pessoa (13.6.1888)

O Andaime

O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado!

Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anónimo e frio,
A vida vivida em vão.

A 'sp'rança que pouco alcança!
Que desejo vale o ensejo?
E uma bola de criança

Sobre mais que minha 's'prança,
Rola mais que o meu desejo.

Ondas do rio, tão leves
Que não sois ondas sequer,
Horas, dias, anos, breves
Passam - verduras ou neves
Que o mesmo sol faz morrer.

Gastei tudo que não tinha.
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.

Leve som das águas lentas,
Gulosas da margem ida,
Que lembranças sonolentas
De esperanças nevoentas!
Que sonhos o sonho e a vida!

Que fiz de mim? Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixei-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.

Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só lembranças -
Mortas, porque hão de morrer.

Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim -
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser - muro
Do meu deserto jardim.

Ondas passadas, levai-me
Para o alvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.

Fernando Pessoa

Litany for the whale for 8 voices | John Cage

"Qual é a natureza da arte depois de ter atingido o mar?" John Cage


Felicidade em estado puro ...



Nas imagens, o Rui e o João.
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Rifão Quotidiano | Mário Henrique Leiria, Mário Viegas



** Rifão quotidiano **

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece.

Mário Henrique Leiria

(por indicação de Antonieta Ribas)

FEIRA DA LADRA | Vitor Nogueira


FEIRA DA LADRA

Acho que as conversas são iguais
em qualquer feira. Há muita gente
que passa a vida a não escutar
os outros, a razão deve ser essa.
Contudo, uma pessoa não pode
viver só, rodeada de fantasmas.

Talvez por isso volta e meia
dê comigo neste sítio,
onde por vezes chego a pensar
que a minha vida não é feita
de outra coisa: curiosidades,
folhas soltas, postais ilustrados,
livros, pequenos agasalhos.

Vítor Nogueira
(Telhados de Vidro, nº5)

Eu cantarei de amor tão docemente


Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.

Luís de Camões



Eu cantarei de amor tão docemente
que, ainda extinta a voz, dela perdure
o veio breve donde transpirou
outrora o canto aceso e seus silêncios.
Serão então do exílio as horas frouxas
derramadas qual ácido no rosto
do amante. mas nada foi em vão.
Que os lábios tremerão de puro amor
e a pele - como a serpente à melodia
rende sua homenagem, cativada -
contra o dia se indisciplinará,
erguida sobre si, ao arrepio
de leis acumuladas contra nós,
seus ecos contrapondo o tempo frio.

António Manuel Pires Cabral

Fora cá dentro | José Mário Branco



Os alunos do 3.º A da EB1 da Corujeira dizem "Fora cá dentro", de José Mário Branco.
Na segunda parte, a versão cantada do mesmo poema, desta feita pelo Bando dos Gambozinos (música retirada do livro/ CD Com quatro Pedras na Mão, Deriva Editores).

FEIRA DO LIVRO | Porto

qua, 10 Junho, 18h30
LITERATURA PORTÁTIL: A NOVA MICRO-FICÇÃO PORTUGUESA
Rui Manuel Amaral, Rui Costa, José Mário Silva
moderação Henrique Manuel Bento Fialho

qui, 11 Junho, 17h30
NO MEIO, O(S) LIVRO(S)
Maria Velho da Costa, Armando Silva Carvalho

sex, 12 Junho, 21h30
NO MEIO, O(S) LIVRO(S)
Gonçalo M. Tavares, Pedro Eiras

sáb, 13 Junho, 17h30
ROMANCE HISTÓRICO: ENTRE A VERDADE E A FICÇÃO
Maria de Fátima Marinho, Miguel Real, João Aguiar

sáb, 13 Junho, 21h30
RETRATOS E AUTO-RETRATO DE AGUSTINA
de O Chapéu das Fitas a Voar (escritos autobiográficos)
a Longos Dias Têm Cem Anos (narrativa biográfica)
Mónica Baldaque, Luís Abel Ferreira, Manuel Vieira da Cruz

dom, 14 Junho, 17h
NO MEIO, O(S) LIVRO(S)
Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia, Carlos Vaz Marques






(Lançamento do livro Estado Civil, de Pedro Mexia (Edições tinta-da-china)

Sirene | Inês Lourenço


Sirene

Bom é ter poucos amigos
poetas, para não ter de
trair a lisura do afecto
ou do texto. Mesmo esses poucos
chegam a nenhuns, se não
conseguimos elogiar epifanias
recessas, queixas piedosas ou
banalidades inócuas. Um amável
neófito muito badalado, ou um sénior
de vários prémios
literários, esperam deliciar-nos
com o verbo no cada vez mais
exíguo palco do poema
impresso. Assim ficamos sós
diante da própria e feroz espera
da negada surpresa. Como quem
adormece na ambulância
apesar da sirene.

Inês Lourenço

E O CHÃO FOSSE MEU CORAÇÃO | João Miguel Fernandes Jorge

E O CHÃO FOSSE MEU CORAÇÃO

Partira. E por isso me doía a cabeça e não
dormira toda a noite. Ficara enrolado nos
lençóis, à escuta, esperando um regresso,
esperando não sabia o quê.
Compreendia que continuava ainda na mesma
sensação de expectativa,
à espera de qualquer coisa, numa ansiedade que
não passava como se a vida não pudesse mais
ser a mesma, apesar do próximo inverno
apagar inexoravelmente todos os sinais.

Partira. O inverno encarregar-se-ia pouco a
pouco de tudo esbater. Aqueles meses tão
cheios da sua presença haviam de recuar, de
perder importância, de desbotar e de se
irem fundindo noutros dias.
Perder-se-iam no abusivo uso dos infinitivos que
dão sempre uma poesia frouxa,
uns versos de incidente
na pressa de registarmos um acontecimento
extravagante.

Partira. Não deixaria de tirar daí algum proveito,
um pano torcido acima de um balde como se
se lavasse o chão
e o chão fosse meu coração.

João Miguel Fernandes Jorge (A Jornada de Cristóvão de Távora - Segunda Parte, Presença, 1988)

Ciclos

Ver Claro

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar

Eugénio de Andrade


Estamos quase, quase a fechar um ciclo de dois anos e parece que foi ontem! Relembro, agora, o primeiro post:

“Este é o princípio da nossa viagem pela e com a literatura. Aqui vamos partilhar as nossas leituras, vamos descobrir e partilhar emoções, vamos envolver-nos nas paisagens, nas cores, nos gestos, nos sons que inspiraram as páginas de inúmeros textos que fazem parte da memória colectiva. Vamos voar e fazer um caminho nosso.”

A viagem ainda está no princípio, há ainda tanto para descobrir e conhecer. Espero ter ajudado a “abrir” algumas portas e a ler alguns mapas, mas a parte mais importante da viagem é aquela que vem aí: as cumplicidades textuais, as inquietações, o agasalho, o desconforto, o prazer da descoberta. E lembrem-se de "ver claro": o leitor tem de teimar e regressar "outra vez e outra vez e outra vez", pois "Toda a poesia é luminosa, até a mais obscura."

Paula Cruz

Dia diferente




Uma vez mais o 11ºC (Literatura) e o 3º A juntaram vontades e rumaram até à livraria mais próxima. Florinda Capitão, gerente da loja da Bertrand das Antas, fez as honras da casa e a ilustradora Abigail Ascenso conversou connosco sobre a importância da ilustração e até nos ensinou alguns truques.

Este foi o último encontro do 11ºC e do 3ºA neste ano lectivo. Agora, vamos entrar em fase de exames. Esperemos que nos próximo ano os laços entre estes dois grupos se estreitem ainda mais.