Mostrando postagens com marcador Sara Monteiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sara Monteiro. Mostrar todas as postagens

Cartas de uma mãe à sua filha | Sara Monteiro

Caríssimos colaboradores do blogue, peço a vossa atenção para o comentário deixado pela Sara Monteiro, autora nossa conhecida (Dona Miquelina, o seu filho e a professora e a Princesa que queria ser Rei), no post da Bruna.

Há um novo livro, à nossa espera:


Quando Luisinha, com 15 anos, sai de casa da mãe para ir estudar inglês em Inglaterra, esta começa a ser invadida pelos mais estranhos seres: sereias, fadas, bruxas, 1 Pai Natal, 1 fantasma e 1 gnomo (não necessariamente por esta ordem), que a mãe cordialmente recebe e se prontifica a alimentar, dando origem a uma imparável aventura que a leva de casa para a floresta — lugar onde tudo o que existe se mexe e opina (desde folhas e formigas até às pedras mais duras) — e de novo para casa, onde finalmente irá tomar uma decisão radical. Estas cartas, que se prolongam no tempo, são o relato pormenorizado dessas peripécias.

Aconteceu no dia 15.




Na segunda-feira passada, os alunos de Literatura Portuguesa, do 11ºC, foram até à sala do 3ºA, na Eb1 da Corujeira ler a história de Sara Monteiro - Dona Miquelina, o seu filho e a professora. Temos de agradecer a atenção que nos dispensaram e a simpatia com que nos receberam. Obrigada!

O lenço preto, de Sara Monteiro


O lenço preto

A seguir, era a sua vez de apresentar um conto no encontro de micronarrativas. Na véspera lembrara-se de que se esquecera de magicar uma história e agora não tinha nada para ler. Ainda olhara para o lenço preto insistentemente mas escrevera já tantas vezes sobre ele que estava farta. Ela era rápida, havia de encontrar alguma coisa.
O tempo passou, a pessoa que lia estava a acabar. Nada lhe ocorrera, entretanto. Nada! Começou a suar frio. O escritor terminara. Bateram palmas. Olharam-na. Engoliu em seco e levantou-se. Calor e frio invadiam-na, as pernas tremiam-lhe, queria fugir. Retirou do pescoço o lenço que a incomodava com um gesto tão brusco que este lhe escapou da mão e um corvo voou no espaço por cima das cabeças dos presentes.
Voltou e poisou no seu braço. Sacudiu-o, horrorizada; uma nuvem preta subiu, subiu e espalhou-se: chuva, relâmpagos, trovões desabaram sobre a sala. As pessoas corriam e gritavam, tentando proteger-se.
Olhou os estragos provocados e o rosto estupefacto dos convidados. Agora sim, queria fugir! Salva-me! sussurrou. E a nuvem deslizou, sedosa, para a sua mão, abriu um buraco no chão, um saco preto fundo para onde ela saltou, desaparecendo sem dar explicações.


Sara Monteiro
in revista Minguante, nº11