A Festa, de Miguel Torga

A FESTA
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Os amantes aprovados, de Agustina Bessa-Luís

Os Amantes Aprovados
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Livros que lemos no Outono


O Amante, de Marguerite Duras (Maria João)
Bolor, de Augusto Abelaira (Tiago)
E aos costumes disse nada, de David Mourão-Ferreira (Bruna)
A Soma dos Dias, de Isabel Allende (Jéssica )
A morte de Ivan Ilitch, de Tolstoi (Sandra)
Contos Extraordinários, de Edgar Alllan Poe ()
Morder-te o Coração, de Patrícia Reis (Joana)
O Papalagui, de Tuiavii (Juliana)
As aventuras de João sem Medo, de Gomes Ferreira (Juliana)
O Problema de ser Norte, de Filipa Leal (Juliana)
O Problema de ser Norte, de Filipa Leal (Gabriella)
Paula, de Isabel Allende (Gabriella)
Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco (Cátia)
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Digo-te por isso, de Filipa Leal



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Digo-te por isso
que não me obrigues a luz.
Que escrever não é fácil,
que viver não é fácil
quando começamos a frase a meio.
Que lavo a cara ao chegar tão tarde
e mesmo assim o dia não se despega,
e mesmo assim
tu não estás, ninguém está.
Que não tenho espaço na minha secretária,
na minha vida, na minha cama
para tanto espaço.
Que já me disseram urbana,
e nem por isso me disseram decadente,
e que eu gostei.
Que já me disseram
muitas vezes
disfarçadamente triste,
e que por isso, por ser triste, por
sermos todos tristes, não mo deviam dizer.
Digo-te por isso
que não era minha intenção dizer-te mais uns versos
tristes e sem luz, e por isso, só por isso,
não era minha intenção dizer-te nada.

Filipa Leal

Mistérios revelados

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Cinema Paraíso



(a propósito da aula de ontem)

Conversas no Museu | Serralves

(escultura de Nathan Sawaya )



"O que é a arte contemporânea? Se esta questão está por desvendar, vamos procurar respostas e reflectir sobre interpretações possíveis, abrindo perspectivas quanto a valores estéticos. A apresentação de obras da Colecção de Serralves constitui um ponto de partida para o debate, fornecendo pistas para posteriores reflexões." (daqui).

Juan Muñoz | UMA RETROSPECTIVA EM SERRALVES

Juan Muñoz nasceu em Madrid, em 1953. Teve a sua primeira exposição em 1984, na galeria Fernando Vijande, de Madrid. Desde então expôs os seus trabalhos frequentemente na Europa e em outras partes do mundo. A 28 de Agosto de 2001, o escultor faleceu subitamente, vítima de ataque cardíaco, aos 48 anos de idade, na sua casa de Verão, em Ibiza. Na altura da sua morte, a obra “Double Bind”, de sua autoria, estava em exposição na Tate Modern, em Londres.

(mais informações aqui)

Manuel da Fonseca


«Manuel da Fonseca insere-se entre os mais notáveis contistas actuais, fundindo a recuperação comovente da experiência infantil e adolescente como uma figuração, por vezes cheia de carácter, dos conflitos e do processo social da região campaniça, no Alentejo.»
Óscar Lopes

«Manuel da Fonseca foi um neo-realista que não inventava mas traduzia a angústia da planície em que nascera e do português que nela morria aos poucos ou traçava na terra mais um sulco de miséria ou de sangue.»
Francisco Sousa Tavares


Manuel da Fonseca nasceu no dia 15 de Outubro de 1911 em Santiago do Cacém e faleceu no dia 11 de Março de 1993. Fez os estudos secundários em Lisboa, tendo-se dedicado desde cedo ao jornalismo. Colaborou em várias publicações, de que se destacam as revistas Afinidades, Altitude, Árvore, Vértice e os jornais O Diabo e Diário. Juntou-se ao grupo de escritores neo-realistas que publicaram no Novo Cancioneiro. Estreou-se em livro com a colectânea poética Rosa dos Ventos (1940). Publicou ainda, em poesia, as seguintes obras: Planície (1941), Poemas Completos (1958) e Poemas Dispersos (1958). Em ficção, publicou: Aldeia Nova (contos, 1942), Cerromaior (romance, 1943), O Fogo e as Cinzas (contos, 1951), Seara de Vento (romance, 1958), Um Anjo no Trapézio (novela e contos, 1968), Tempo de Solidão (contos, 1973). Publicou ainda a colectânea de crónicas intitulada Crónicas Algarvias (1986). (daqui)

Maria Altinha, de Manuel da Fonseca

Barca Bela, de Garrett, por Marta Dias



(Não tem imagem.)

BARCA BELA, de Almeida Garrett

BARCA BELA

Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador!

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!

Almeida Garrett
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CÃES, MARINHEIROS, de Herberto Helder (Os Passos em Volta)

CÃES MARINHEIROS

Era um cão que tinha um marinheiro. O cão perguntou à esposa, que se pode fazer de um marinheiro? Põe-se de guarda ao jardim, respondeu ela. - Não se deve deixar um marinheiro à solta no jardim, que fica perto do mar. Um marinheiro é uma criatura derivada por sufixação, e pode recear-se o poder do elemento base: o radical mar. Em vez de guardar o jardim, ele acabaria por fugir para o mar. - Deixá-lo fugir, disse a esposa do cão. Mas ele não estava de acordo. Que um facto deveria ser esse mesmo facto até ao limite do possível: quem possui um marinheiro para guardar o jardim deve procurar mantê-lo a todo o custo, assim como o cão, ou o casal de cães, que não tiver um marinheiro deve não tê-lo até a isso ser absolutamente forçado. - Nesse caso, só nos resta ir para uma terra do interior, longe do mar, disse a cadela. E então foram para o interior, levando pela trela o marinheiro açaimado. Durante o percurso viram muitas paisagens. O marinheiro estava espantado com as paisagens que podem existir longe do mar. Fez diversas observações a esse respeito, provocando o risonho latido dos cães que, pela sua parte, concordavam em que tinham um marinheiro muito inteligente. - Nem todos os cães têm a nossa sorte, disse o cão, pois conheço vários cães que são donos de vários marinheiros estúpidos. Iam por isso bastante contentes e diziam, a outros cães com quem se cruzavam, que possuíam um marinheiro invulgarmente esperto. - Ele tem uma filosofia das paisagens, dizia o cão. Um cão da Estrela, que encontraram naturalmente perto da Serra da Estrela, perguntou-lhes se o marinheiro gostava de sardinhas. - Adora-as, respondeu a cadela. - Isso não me admira nada, disse o indígena. E na verdade não parecia admirado. Quando chegaram ao mais interior possível, alugaram uma casa com um jardim e puseram o marinheiro a guardá-lo. - Guarda-o, disseram. Deixaram-lhe ao lado uma dúzia de latas de sardinhas e foram para dentro de casa. Durante sete dias e sete noites, o marinheiro reflectiu sobre as paisagens do interior e comeu as sardinhas de conserva. Depois foi atacado de esgana, e começou a andar em círculos cada vez mais apertados no meio do jardim. Os cães observavam-no da janela e viam que o seu marinheiro perdia as forças a cada volta. Um dia, ao anoitecer, caiu para o lado resfolegando. - O mar, ouviram-no dizer. Então foram para dentro, e dormiram. De manhã vieram cedo ao jardim e verificaram que o marinheiro estava morto. - Era um marinheiro tão esperto, disse a cadela. - Pois era, disse o cão, foi pena. E enterraram o marinheiro debaixo de uma acácia. Mas como já se haviam habituado à vida do interior, não regressaram ao litoral. Nunca mais tiveram marinheiros. - Para quê?, dizia a cadela, ralações já existem de sobra. E quem se atreve a negar que ela tinha razão?
Herberto Helder (Os Passos em Volta)

Uma tarde diferente: O guindaste branco espalha as suas asas

Antes da apresentação de O guindaste branco espalha as suas asas (Poesia de Lawrence Pettener), por Filipa Leal, houve tempo para uma visita ao Mercado do Livro e para uma sessão fotográfica.

Já no Clube Literário do Porto, Filipa Leal disse alguns poemas, por ela traduzidos, de Lawrence Pettener. O poeta leu também alguns dos seus textos não só em inglês, mas também em irlandês gaélico. No final, a Juliana, as Gabrielas e a Bruna estiveram à conversa com Filipa Leal. Ficou prometida uma visita à Escola, para uma conversa com versos à volta. A Gabriela teve ainda oportunidade para interagir com o actor Rui Spranger, que ela reconheceu como protagonista de O Senhor Juarroz, peça a que assistimos em Fevereiro, no Teatro da Vilarinha.



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A Gabriela tratou Rui Spranger, como "o senhor das meias"... A imagem explica o porquê...
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