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Não inquiro do anónimo futuro | Ricardo Reis

Não inquiro do anónimo futuro
Que serei, pois que tenho,
Qualquer que seja, que vivê-lo. Tiro
Os olhos do vindouro.
Odeio o que não vejo. Se pudera,
Vê-lo, grato o não vira.
Se mo mostrarem num quadro, ou o virarem
Não tenho o que não tenho.
O que o Destino manda, saiba-o ele.
A ignorância me basta.

Ricardo Reis

Resposta a Ricardo Reis | Bruna Freitas

Não, Ricardo. Não quero sentar-me ao pé do rio contigo. É demasiado preguiçoso para viver. Nem as flores que colhemos queres segurar: és preguiçoso demais para me olhar, para me amar. A vida passa, passa como um rio, tens razão, mas enquanto passa quero viver, mergulhar no rio, amar, sofrer, viver. Quero enlaçar as mãos, quero sonhar com movimento, acção, quero sentir-te vivo. Quero sentir. És preguiçoso demais para viver.

Bruna "Lídia" Freitas

(anti-Ricardo Reis) | Adília Lopes

(Miguel Yeco)


(anti-Ricardo Reis)

O rio
é bom
para nadar
e as flores
para dar
o resto
são cantigas
casa-te com Lídia
tem bebés
passa a lua-de-mel
na Grécia.

Adília Lopes

"pega tu nelas"
Ricardo Reis

Mão morta vai bater àquela porta
as rosas amo dos jardins de Adónis
ao escrever
é preciso reconciliar uma lebre
com uma tartaruga
oh como era lebre a tartaruga!

*

Mas porque será sempre Lídia
a pegar nas rosas
Dr. Ricardo Reis?

Adília Lopes